Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/01/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico, garante, de acordo com o Art-6 o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, a sociedade se mostra distante do que impõe a norma constitucional, visto que, atualmente, a automedicação é uma atividade comum que afeta de forma negativa a saúde dos brasileiros. Nessa perspectiva, os benefícios e os riscos dessa prática devem ser analisados com o intuito de que só os benefícios sejam mantidos.
Em primeira análise, é fundamental pontuar como a automedicação é benéfica para o Sistema Único de Saúde (SUS). Frequentemente, é visto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como muitas pessoas vão ao médico com simples dores corporais e acabam aumentando a fila de pacientes que precisam realmente de um atendimento clínico rápido e essas filas poderiam ser reduzidas se esses pacientes com pequenas dores procurassem farmácias e remédios que não precisam de prescrições medicas, fazendo que assim, as filas diminuam e os casos graves sejam atendidos com mais rapidez. Desse modo, a automedicação será favorável para todos e ajudará ao SUS a se manter mais rápido.
Ademais, é imperativo ressaltar que a automedicação traz muitos riscos para a saúde da população. De acordo com dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a automedicação é responsável, anualmente, por cerca de 20 mil mortes. A partir desses dados é possível perceber como tomar remédio sem a prescrição médica traz riscos para a saúde. Por exemplo, tomar medicamentos diariamente pode causar a dependência e a futura perda de seus efeitos, pode também causar reações alérgicas, intoxicação e a resistência aos remédios, por isso é necessária a conscientização e instrução dos farmacêuticos ao venderem os medicamentos, para que todas as pessoas adoentadas saibam dos seus riscos para a saúde. Nesse contexto, faz-se necessária a mudança de hábitos dos brasileiros em não tomar um remédio sem saber seus efeitos colaterais.
Portanto, é mister a adoção de medidas que possam conscientizar os brasileiros sobre a automedicação. Nesse sentido, cabe a Indústria Farmacêutica em parceira com a Mídia, por meio de propagandas televisivas, instruir os brasileiros sobre os perigos da automedicação e os perigos que ela causa para saúde, além disso, deverá ser colocado nas embalagens dos medicamentos todos os possíveis efeitos colaterais com letras grandes e legíveis para que todos estejam conscientes dos riscos que tal remédio pode proporcionar para a saúde, a fim de que os brasileiros tenham mais clareza do perigo da automedicação. Com essa ação, os brasileiros verão o direito garantido pela constituição como uma realidade próxima.