Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 22/06/2020
No documentário “Take your pills”, ocorre a abordagem em relação ao uso indiscriminado de medicamentos, ato que pode prejudicar o organismo humano, causando intoxicações e, até mesmo, a morte. Fora do campo cinematográfico, a situação apresentada não destoa da realidade brasileira, na qual a automedicação é uma ação comum, encorajada por propagandas e pela ignorância de seus praticantes, que não procuram saber quais efeitos colaterais poderão enfrentar.
Em primeira análise, propagandas veiculadas pela mídia influenciam, inclusive, em como indivíduos cuidam de sua saúde. Atualmente, a ingestão de medicamentos é vista pela sociedade como a forma mais simples de acabar com um incomodo corporal, comportamento causado pelo imediatismo, tendência que induz os cidadãos a escolherem a “opção” mais rápida, sem pensar em consequências que poderão surgir. Tal cenário é agravado por conta da publicidade de remédios paliativos, já que incentiva o uso dos mesmos, apresentando-os como substâncias capazes de “curar” sem a necessidade de prescrição médica.
Além disso, a ignorância daqueles que praticam a automedicação é a principal causa de intoxicações e do aparecimento de efeitos colaterais. Segundo dados da Ambifarma, o uso incorreto de remédios pela automedicação causa cerca de 20 mil mortes por ano no Brasil. Esse panorama mostra que boa parte da população não se preocupa com as consequências que podem ser geradas ao usar substâncias sem a indicação de um profissional, resultando, não apenas em mortes, mas também em internações. Essa realidade é explicada por Platão, o qual afirma que a falta de conhecimento transforma as pessoas em ignorantes, que se baseiam apenas em suas próprias opiniões e acabam sendo prejudicadas pela falta de ciência - nesse caso, suas saúdes são prejudicadas.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a melhora da situação. A Anvisa deve regulamentar os comerciais passados na Mídia, proibindo a exibição daqueles que influenciam telespectadores a ingerir medicamentos por conta própria. Outrossim, é papel do Estado fornecer conhecimento acerca das possíveis consequências geradas pelo uso de remédios sem prescrição médica, por meio de palestras e distribuição de material didático pelo MEC em escolas e universidades, evitando a ignorância de indivíduos em relação a suas saúdes - como o afirmado por Platão.