Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 22/06/2020

A série ‘‘Riverdale’’, da produtora Warner Brothers, traz em sua narrativa a história de Betty, uma jovem que se automedica com o intuito de aumentar seu desempenho escolar e lida com preocupantes consequências em sua saúde. Nessa perspectiva, percebe-se que essa prática nociva transpõe o cenário ficcional, sendo influenciada por fatores como a precariedade do sistema de saúde e a cultura de normalização.

Dentro dessa visão, as deficiências no sistema de saúde tornam-se pontos notáveis na problemática. Desse modo, as longas filas de espera, a alta burocracia e o reduzido número de funcionários acabam por incentivar e disseminar a medicação indevida sem consulta prévia. Assim sendo, compromete-se o poder de plena saúde assegurado a todos pela Declaração dos Direitos Humanos de 1948, uma vez que o consumo irregular de fármacos ameaça o padrão salutar de vida.

Além disso, também deve-se considerar aspectos advindos da cultura como relevantes para o debate. Nesse sentido, a disseminada visão cultural da remediação pessoal como normal e até mesmo saudável para o indivíduo, além de econômica para o sistema, age de modo a moralizar e a acomodar seus adeptos, o que dificulta a resolução do problema. Esse argumento, portanto, condiz com o da pensadora Hannah Arendt, que aponta a banalização de maus atos como produto da convivência social.

Logo, medidas amplas devem ser postas em prática com o objetivo de reduzir a automedicação no Brasil. Para que isso ocorra, compete ao Ministério da Saúde modernizar seu sistema de atendimento por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, que atue de modo a assegurar mais verbas ao setor hospitalar, com o fito de reduzir a burocracia e ampliar o número de funcionários, sanando a presente crise. Além disso, urge que o Ministério das Comunicações promova campanhas midiáticas de modo regular, com o objetivo de conscientizar a população acerca dos malefícios da cultura de prescrição pessoal. Com esses feitos, situações análogas a de Betty de  ‘‘Riverdale’’ serão apenas  ficção.