Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/06/2020
A música “Sem Saúde”, do rapper brasileiro Gabriel O Pensador, apresenta de forma explícita situações comumente vivenciadas por considerável parcela da população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS): descaso, desrespeito, morosidade. Nesse aspecto, o sucateamento do SUS, juntamente com a pressão constantemente sustentada pelas pessoas, é uma das principais causas do grande consumo de remédios sem devida orientação médica no Brasil. Assim, apesar da automedicação ser indicada pela Organização Mundial da Saúde em casos simples de dor de dente e cólicas, por exemplo, ela frequentemente representa um grande risco à saúde dos indivíduos.
Nesse sentido, o descaso com a saúde pública, a falta de verbas, os atendimentos precários e a lentidão para que estes aconteçam, influenciam de forma direta o uso de medicamentos por conta própria. Visto que, a praticidade para se comprar remédios, associada à desinformação populacional em relação aos riscos da automedicação, é geralmente vista como melhor opção à espera de meses por uma consulta médica. Além disso, o filósofo contemporâneo Byung Chul Han, afirma em seu livro Sociedade do Cansaço, que a sociedade, de forma geral, tem vivido sob grande pressão para entregar um alto desempenho nos âmbitos, social, familiar, escolar e laboral, tendendo a sucumbir. Logo, para muitos, o uso de medicamentos sem prescrição médica – como remédios para dormir melhor e amenizar a ansiedade – tem funcionado como verdadeira válvula de escape.
Dessa forma, a utilização inadequada e irresponsável desses químicos – sobretudo em excesso ou em conjunto com outras substâncias – pode provocar grave intoxicação, tanto hepática quanto renal. Ademais, esse consumo sem orientação especializada pode provocar o mascaramento de doenças mais graves, como alguns cânceres, que podem se desenvolver e levar o indivíduo à morte, principalmente por não haver acompanhamento médico.
Portanto, com o objetivo de combater a automedicação no Brasil, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Conselho Federal de Farmácia, promova campanhas informativas e de alerta com urgência. Desse modo, elas devem ser veiculadas em todas as mídias sociais, em âmbito nacional e em horários nobres, fazendo uso de linguagem compreensível e importantes formadores de opinião, como o Doutor Drauzio Varella.