Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/06/2020

Em seu poema intitulado “Pneumotórax”, Manuel Bandeira retrata, de forma satirizada e dramática, a conversa entre um médico e um paciente com morte iminente. Tal obra reflete o sentimento melancólico do autor modernista em relação à a doença bacteriana, tuberculose, da qual sofria. Nesse sentido, a automedicação, embora se conheça métodos efetivos contra essa doença, apresenta-se como fator para o retorno da tuberculose, uma vez que ela contribui para a resistividade dos parasitas no organismo humano. Além disso, esse ato pode sequenciar efeitos colaterais danosos ao indivíduo. Por esses motivos, é imprescindível agir em combate à automedicação.

A princípio, cabe mencionar a teoria da Seleção Natural, proposta por Charles Darwin, na qual o cientista defende que o meio é determinante para a sobrevivência das espécies; assim, os indivíduos menos resistentes são incapazes de sobreviver, e os mais resistentes, por sua vez, sobrevivem e se reproduzem, tornando a espécie mais evoluída. A partir dessa perspectiva, é incontestável o fato de que a automedicação possa a vir selecionar bactérias mais resistentes e danosas ao ser humano, tornando dificultoso o tratamento de diversas doenças controladas, como a tuberculose.

Ressalta-se, em um segundo plano, as consequências que uma medicação pode gerar no organismo de um indivíduo. O uso negligente das pílulas contraceptivas, por exemplo, contribui, em muitos casos, para o surgimento de trombose, doenças cardiovasculares ou até cancerígenas; medicações que induzem o sono ou remediam a ansiedade e nervosismo, por sua vez, podem causar dependência, gerando um desequilíbrio no corpo de quem os ingere. É evidente, desse modo, que não só o hábito da remediação sem prescrição médica pode agravar o quadro de um paciente, mas também pode sequenciar a morte dele.

Reitera-se, à vista dos argumentos selecionados, a necessidade de romper com o ato da automedicação em sociedade. Para tanto, é papel do Ministério da Saúde desenvolver aplicativos nas plataformas digitais, os quais visem estabelecer um contato virtual entre o médico e o paciente para esse ser examinado e diagnosticado por aquele, assegurando, logo, a medicação de maneira racional e adequada. As Secretárias Municipais de Saúde, em conjunto com as Secretárias Municipais de Educação, devem, ainda, instituir nas escolas uma educação sanitária, na qual induza os estudantes a adotar hábitos que promovam a saúde e evitem doenças, no intuito de alertar sobre a medicação sem prescrição médica e combatê-la. A tuberculose, desse modo, temida por Manuel Bandeira, distancia-se da realidade brasileira e os indivíduos, por sua vez, tornam-se mais cientes e prudentes sobre suas escolhas.