Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/06/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, apresenta em suas Memórias Póstumas o “Emplasto Brás Cubas”, medicamento destinado a aliviar as dores da humanidade. De maneira análoga, tal situação não é incomum na sociedade contemporânea, visto que muitas pessoas fazem o uso da automedicação como forma de escape para os problemas do cotidiano. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal aliada a mídia, ora pela má formação socioeducacional.

Em primeira análise, a Constituição Federativa do Brasil, de 1988, no artigo 6°, garante a saúde como um direito de todos os cidadãos para que se tenha o pleno desenvolvimento social. No entanto, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, dado que o meio midiático promove propagandas destinadas à automedicação como algo normal, não evidenciado os malefícios que essa prática pode acarretar, entre elas, a dependência pelo medicamento, ou até mesmo, intoxicação pelo elevado consumo. Sob essa óptica,o Estado torna-se omisso pela a não efetivação de medidas que possam fiscalizar e atenuar esse tipo de “liberdade e flexibilidade” que a mídia impõe acerca da automedicação.

Outrossim, o filósofo escocês David Hume, relata que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento, sua sabedoria. Sob esse viés, é notório que as instituições de ensino possuem uma importante função no que diz respeito ao ativamento da criticidade dessa parcela. No entanto, nem sempre, esse asseguro é efetivado, uma vez que esse âmbito repassa apenas aquilo que é “pautável” nas grades curriculares, tal ato determinante para que muitas pessoas tornem-se alienadas. Com isso, estando em estado de vulnerabilidade, muitos cidadãos fazem o uso da automedicação apenas pela indicação de pessoas próximas, esquecendo-se de consultar um especialista .

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado, invista em leis que fiscalize as propagandas destinadas ao uso da automedicação e promova campanhas voltadas para os cuidados e perigos desta, por meio da contratação de farmacêuticos e docentes da saúde para instruir essa população, com o intuito de que menos pessoas pratiquem a automedicação. Ademais, é importante que a escola, insira nas grades curriculares assuntos voltados para assuntos do cotidiano e que, entre eles, abordem e orientem a prática da automedicação, a partir de atividades lúdicas e teóricas, com a participação de agentes da saúde, com a finalidade de que o agir crítico seja ativado entre os cidadãos. Com isso, o Emplasto Brás Cubas será apenas uma participação literária.