Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/07/2020
No documentário “Take Your Pills”, é narrado o cotidiano de estudantes americanos que abusam de medicamentos - muitas vezes, sem prescrição médica - para melhorarem suas performances escolares, o que gera um terrível vício. Analogamente, no Brasil, a automedicação representa um problema nocivo que deve ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Nesse preocupante contexto, é preciso compreender como a disseminação constante de propagandas acarreta a morte e a intoxicação medicamentosa de milhares de pessoas no país.
Em primeiro lugar, a quantidade exagerada de propagandas de medicamentos é uma questão crucial ao analisar o impasse. No século XVIII, a imprensa foi responsável por disseminar os ideais iluministas, o que foi essencial para a queda do Absolutismo. De forma análoga, as propagandas ainda possuem muita influência no comportamento da população, uma vez que estimulam o consumo, o que contribui para a compra de remédios - sem prescrição médica - por parte dos indivíduos. Dessa maneira, as rápidas e fáceis soluções oferecidas pelos comerciais de remédios corroboram para a persistência da automedicação no Brasil.
Por conseguinte, a morte e a intoxicação de indivíduos por automedicação errônea é uma realidade. Segundo estudo da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, cerca de 20 mil mortes ocorrem por ano no país devido a esse problema. Contudo, apesar de o Artigo 196 da Constituição Federal garantir a saúde como um direito social e um dever do Estado, este não é concretizado, por completo, na prática. Isso ocorre tanto por conta dos baixos investimentos públicos no setor da saúde quanto pela falta de campanhas de conscientização. Dessa forma, a contínua ingestão de medicamentos, sem prescrição médica, continuará fazendo milhares de vítimas.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver a questão. Nesse sentido, além de promover campanhas de conscientização contra a automedicação, o Estado e o Ministério Público dever criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, a fim de aumentar os investimentos no setor da saúde. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com empresas privadas, para que a eficiência nos atendimentos de intoxicação medicamentosa aumente e, assim, menos pessoas faleçam. Somente assim, nos afastaremos dessa realidade evidenciada no documentário e tão comum na atualidade.