Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 27/06/2020
O documentário “Take your pills” apresenta estudantes estadunidenses que abusam de remédios para melhorar suas performances escolares. Infelizmente, a narrativa não destoa da realidade. Segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente pela ingestão indevida de remédios no Brasil. Além disso, vale ressaltar a ausência de conhecimento sobre os efeitos dos fármacos a longo prazo, inviabilizando tratamentos e aumentando os riscos de doenças.
Em “Sociedade do espetáculo”, Guy Debord afirma a existência de um uma performance inacabável por parte de todo para mostrar-se à sociedade. Esse pensamento se torna coerente quando comparado ao cenário da automedicação, pois uma das razões para este comportamento é a busca de aceitação e melhores resultados ou até mesmo o imediatismo. Percebe-se que o público alvo deste problema são jovens e em sua maioria não tem necessidades para tal uso.
Outrossim, é importante ressaltar a falta de tratamentos e respostas acerca dos efeitos em cada corpo. Por conseguinte, a utilização desses remédios sem prescrição traz à tona o poder do senso comum. Esse, faz com que as pessoas acreditem que possam ter os mesmos resultados dos outros. Então, pela busca do belo, da performance, do status, a sociedade se permite passar pelos risco, sem saber que podem trazer sérias consequências, como a morte. E assim, se esquecem do primordial - a saúde.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde em confluências com redes midiáticas, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Com o objetivo de reduzir a produção desses medicamentos e somente ser ofertados àqueles que realmente tem necessidades, a fim de diminuir a proliferação de propagandas de medicamentos com essa finalidade. Espera-se assim, frear a cultura da automedicação.