Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 28/06/2020
A ascensão do sistema capitalista e a criação de uma sociedade marcada pela busca pela produtividade imediata culminaram no surgimento de um dos maiores problemas da atualidade: a automedicação. Nesse sentido, as lamentáveis práticas de uso de fármacos sem a devida supervisão médica convergem em danosas perturbações fisiológicas a longo prazo. Com isso, é notável o alastramento de tais atitudes na contemporaneidade, “fruto” da procura incessante por resultados positivos e de uma “comunidade de cansaço”. Assim, é imprescindível o combate a tal conjuntura - danosa à integridade física e mental dos indivíduos.
Nesse viés, é importante destacar a busca por resultados positivos e imediatos como contribuinte para o fenômeno citado. Nessa percepção, o documentário norte-americano, “Take Your Pills”, evidencia o demasiado uso de psicoestimulantes - como o “Aderall” - pelos jovens como forma de manter os altos desempenhos nos diversos processos seletivos - vestibulares, concursos, etc. Tal produção expõe, imparcialmente, depoimentos de usuários dos remédios, o quais destacam as pressões por resultados positivos como o principal fator de influência na automedicação. Dessa forma, é visível o papel dessa conjuntura na continuidade do uso de fármacos sem prescrição profissional - o que reflete na emersão de vícios e doenças fisiológicas e precisa ser atenuado.
Além disso, é necessário ressaltar o dantesco desenvolvimento de uma “sociedade do cansaço” como o precursor das automedicações. Nessa perspectiva, segundo o filósofo asiático, Byung-Chul Han, as comunidades modernas são caracterizadas por um “esgotamento” físico e mental malévolo à vida e a produtividade. Por isso, segundo o teórico, diversos indivíduos recorrem ao uso de produtos químicos como forma de estímulo neurológico e de alívio das dores. Dessa forma, torna-se notório o papel dessa organização social na permanência dos lamentáveis fenômenos citados, o que torna fundamental o embate a esse contexto para a garantia da integridade corporal das pessoas.
Portanto, o processo de automedicação é o resultado de uma sociedade voltada para a produtividade e marcada pelo cansaço - o que precisa ser “mitigado”. Desse modo, é indispensável a atuação do Ministério da Saúde, junto às escolas públicas e privadas, por meio de medidas socioeducativas nos colégios. Isso acontecerá com palestras e rodas de conversa acerca da importância do bem-estar corporal e psicológico e da redução da produtividade em momentos variados. Tais eventos ocorrerão semanalmente com a presença de psicólogos e farmacêuticos que irão discutir os impactos da falta de descanso e do uso de remédios em larga escala. Dessa maneira, os problemas da busca por desempenho serão resolvidos e os impactos de sistema capitalista serão amenizados.