Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 30/06/2020
O seriado norte-americano Dr House traz à tona muitos questionamentos acerca do uso indiscriminado de medicamentos, uma vez que em diversos episódios o uso dessas substâncias agrava situações e prejudica vários casos clínicos. Transpondo-se à ficção, é perceptível que na sociedade atual é elevado situações de automedicação, corroborando um agravante social. Ao se avaliar as razões para as ocorrências para tamanha adversidade, vê-se que é necessário que a sociedade, em geral, aliada ao Estado, atue, de maneira engajada, no sentido de evidenciar as causas e propor soluções adequadas à atual conjuntura.
É indubitável pontuar, inicialmente, que a influência dos meios midiáticos, através de propagandas de medicamentos, corrobora para o cenário elevado da automedicação. Sob esse prisma, os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer do século XX aborda o conceito de Indústria cultural que relaciona-se com a tentativa da mídia de manipular o comportamento da sociedade. Analogamente, as propagandas ao uso de fármacos tornou-se uma grande influenciadora para os indivíduos automedicar-se. Ademais, o fácil acesso de vendas dessas substâncias sem prescrição nas farmácias fez-se como uma prática comum e facilitadora. Dessa maneira, a falta de esclarecimentos da utilização de medicamentos aliado a ausência do acompanhamento médico do quadro do paciente acarreta prejuízos a saúde humana, como alterações no metabolismo, alergias, alterações intestinais e entre outros.
Outrossim, é imprescindível ressaltar a dificuldade e a morosidade do atendimento médico, destacando principalmente os hospitais públicos, que por sua vez, favorecem significativamente a escolha da maior parte da sociedade pelo automedicamento. Nesse contexto, conforme a metáfora do sociólogo Zygmund Bauman apresentada em seu livro- Modernidade Líquida- “algumas instituições dentre elas- O Estado- perderam sua função social, mas que conservaram a qualquer custo sua forma, configurando-se como instituições zumbi”. Destarte, a metáfora denota que, infelizmente as instituições de saúde são incapazes de delegar à população soluções de problemas, motivando, dessa forma de medicar-se em casa.
Portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe ao Ministério da saúde, em parceria com a Anvisa (Agência nacional de vigilância sanitária), promover o controle rígido de retenção de remédios sem prescrição médica, com o fito de ter um controle sobre a venda dessas substâncias de forma inadequada. Ademais, através dos meios midiáticos, o conselho Federal de Medicina e o conselho Federal de Farmácia devem propor discussões, por meio de palestras, enfatizando os riscos da automedicação. Assim, contrariando o exposto no seriado Dr House.