Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 09/07/2020

Reações alérgicas, efeitos colaterais, agravamento de quadros, aumento da resistência de microrganismos e, até mesmo, intoxicações graves. Inúmeros são os prejuízos que podem ser gerados a partir do uso de medicamentos sem consulta a um profissional de saúde. Porém, apesar de todos os possíveis efeitos, a automedicação é comum entre os brasileiros e se encontra em ascensão principalmente devido ao falso senso de autossuficiência gerado pelo consumo liberado de medicamentos sem tarja aliado ao fácil acesso a informações no meio virtual.

Primeiramente, existem os medicamentos isentos de prescrição (MIP), que, ao configurarem solução rápida e fácil para problemas como cefaleia, cólicas menstruais, gripes, entre outros, permitem a otimização dos atendimentos hospitalares e do funcionamento do sistema de saúde. No entanto, muitos indivíduos não sabem diferenciar os MIPs de antibióticos ou, diante da liberdade de resolver uma possível dor de cabeça sem auxílio, julgam-se também capazes de autoprescrição ao lidar com outros sintomas ou problemas de saúde. Por conseguinte, tornam-se vulneráveis aos efeitos danosos dessa prática.

Além disso, como previa o sociólogo Pierre Levy em seus estudos sobre as novas tecnologias da informação e da comunicação, a internet criou um enorme espaço de convivência, no qual conhecimentos podem ser compartilhados e acumulados. Contudo, também há disseminação de informações falsas e hábitos nocivos, como a publicação do uso de um remédio em determinadas circunstâncias, incitando a prática da automedicação diante de sintomas parecidos. Também são comuns os diagnósticos independentes, a partir de informações online, primeiro passo para a realização da autoprescrição.

Desta forma, para garantir que o população não sofram com as várias consequências do consumo de antibióticos sem indicação, é necessário que o Ministério da Saúde, a partir dos meios de comunicação em massa e secretarias de saúde, realize campanhas, palestras e propagandas de conscientização. Estas devem apresentar a diferença entre os medicamentos que podem ser usados sem a consulta de um especialista e os antibióticos, assim como os prejuízos que o uso irresponsável destes pode trazer à saúde. Além de esclarecimentos sobre os perigos dos diagnósticos autônomos com base em pesquisas e informações online.