Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/07/2020
Byung Han, filósofo sul coreano, descreve em sua obra Sociedade do Cansaço, o quanto o discurso motivacional manipula o pensamento das pessoas. Tal influência pode ser observada por meio do aumento da automedicação no Brasil do século XXI, revelando o poder do estímulo publicitário ao hedonismo e a liquidez no acesso à saúde pública. Destarte, urge a necessidade de reverter esse quadro.
Em primeiro plano, é necessário compreender como a massificação informacional é pertinente para intensificar o “jeitinho brasileiro” - característica de tangenciar a solução dos impasses - como observado no uso irracional de medicamentos. Para isso, vale ressaltar a ideia de sociedade em rede, definida pelo sociólogo espanhol Manuel Castells. a qual aborda que os meios informacionais estão intrinsecamente ligados ao comportamento da sociedade contemporânea. Dessa forma, infelizmente, vê-se a divulgação diária de fármacos milagrosos e instantâneos frente as enfermidades, viabilizando a construção do pensamento social que só é preciso uma pílula para manter a saúde.
Ademais, um fator que intensifica a alienação citada, é a escassez de serviços públicos de saúde. Nesse sentido, devido a falta de alternativa e orientação, o indivíduo busca na automedicação dos produtos a ele publicitados, a melhoria dos seus sintomas. No entanto, vale destacar que os medicamentos são responsáveis por 28% das intoxicações notificadas, segundo o Sistema Nacional de informação Toxicológica (SINTOX). Diante disso, percebe-se a necessidade de acesso à informação e saúde.
Registra-se, portanto, que o uso indiscriminado de medicamentos é um problema social. Para tanto, é imperiosa a ação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), elaborar diretrizes de orientação aos riscos do uso indevido de fármacos, divulgando as consequências do uso irracional por meio de divulgação midiática, para que construa-se uma consciência coletiva a longo prazo.