Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 10/07/2020

Na obra “A cidade do Sol”, do escritor italiano Thomasso Camponella, uma sociedade metodicamente harmoniosa e ordenada, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, é retratada. No entanto, o observado na sociedade do século XXI é o oposto da óptica retratada pelo autor, uma vez que a automedicação apresenta obstáculos. Assim, esse cenário antagônico é consequência tanto da inoperância estatal, quanto do comportamento coletivo, os quais dificultam a concretização da cidade utópica referenciada. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a inoperância estatal colabora diretamente na questão da automedicação. Nesse contexto, Thomas Hobbes, teórico contratualista, afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, incluindo a saúde. Entretanto, esse direito está distante de ser realidade na sociedade contemporânea, isso porque o setor governamental não assegura que o artigo 6 da Constituição Federal de 1988 seja inteiramente posto em prática, fomentando a procura do autodiagnóstico por meio da internet. Logo, o corpo social torna-se dependente e prejudicado pelas ações despreparadas vigentes do Estado.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, o comportamento coletivo. Dado que, consoante o imperativo categórico de Kant, o qual preconiza que o indivíduo deve agir somente conforme a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Contrariamente, no que tange a questão da automedicação, conforme uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), cerca de 77% dos brasileiros praticam o uso inadequado de medicamentos , demonstrando que o comportamento de tomar um remédio de forma autônoma já está incorporado da sociedade. Assim, é imprescindível uma mudança de comportamento dos indivíduos para uma mudança dessa situação.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações para combater os entraves que promovem a automedicação. Em vista disso, torna-se necessário que o Ministério da Saúde, juntamente ao Governo Federal, promova um maior repasse de investimentos para a saúde pública, por intermédio de emendas constitucionais, as quais permitam a destinação de capital para os diversos estados do Brasil, principalmente, para áreas atestadas com maior precariedade nos espaços públicos de saúde, com o intuito de motivar a ida das pessoas para esses locais diante de qualquer enfermidade. Além disso, o Ministério da Educação deve propagar informações sobre os perigos da automedicação, principalmente nas escolas e na mídia. Só assim, a coletividade alcançará a “cidade do Sol” descrita por Camponella.