Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/08/2020
A Organização Mundial de Saúde (OMS), estabelece sete pilares para o autocuidado, dentre eles está o uso dos MIPs (medicamentos isentos de prescrição) no tratamento de sintomas simples, o que reduz a demanda de atendimentos médicos. Entretanto, o consumo de remédios de forma irracional e ilegal tem sido uma prática comum, tornando a automedicação perigosa. Nesse contexto, deve-se analisar que a rotina agitada e o fácil acesso aos fármacos influenciam a imprudência consumi-los.
Inicialmente, deve-se analisar a rotina agitada das pessoas como um agravante da problemática. Em sua teoria “Modernidade Líquida”, o filósofo Bauman evidencia um forte imediatismo nas relações cotidianas. Analogamente, diante da correria do dia a dia, atrelada à demora no atendimento em hospitais públicos, muitos indivíduos, no intuito de “não perder tempo”, acabam optando por se automedicar de maneira irresponsável. Consequentemente, o uso excessivo de remédios pode acabar desencadeando dependências químicas.
Além disso, a facilidade no acesso aos medicamentos também é um problema. Na série “Grey’s Anatomy”, um dos pacientes utiliza antibióticos sem qualquer prescrição médica, o que piora seu estado de saúde. Fora da ficção, não é diferente, haja vista que é comum algumas farmácias venderem remédios sem a presença de uma receita médica, o que intensifica mais ainda a automedicação indiscriminada. Logo, esses fármacos - em especial os antibióticos - podem esconder sintomas de doenças mais graves e aumentar a resistência bacteriana.
Portanto, ficam claros os fatores que influenciam o mau uso de fármacos. Assim, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve promover campanhas de conscientização a respeito da automedicação, por meio da presença de farmacêuticos que expliquem as consequências dessa prática, a fim de que os medicamentos sejam usados de forma mais prudente - inclusive os MIPs. Ademais, cabe a ANVISA fiscalizar com mais rigor a venda de remédios, através de inspeções periódicas em farmácias e leis mais rígidas, para evitar as vendas sem prescrição médica. Dessa forma, o ato de se automedicar será uma forma de autocuidado, sem perigos à saúde.