Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/07/2020
Sempre ácido e crítico,Machado de Assis,em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”,satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira no século XIX.Ainda que dois séculos tenham se passado,desde a época que viveu o escritor realista,pouco mudou quando se observa a prática da automedicação entre os indivíduos.Diante disso,é válido analisar o viés econômico e a ineficiência da saúde pública como elementos que intensificam a ingestão de substâncias sem a prescrição médica no Brasil.
Diante dessa conjuntura,cabe pontuar que os gastos monetários com os remédios prescritos por especialistas,juntamente com as despesas no deslocamento até as clínicas médicas,motiva a população a se automedicar com medicamentos disponíveis ao seu redor,devido a falta de verba e em alguns casos,com o propósito de poupar recursos.Nesse contexto,consolida-se o pensamento do filósofo inglês,no qual relata que o homem é o lobo do próprio homem,enfatizando que o homem é responsável pelas consequências de suas ações,que podem prejudica-lo.Desse modo,o uso inadequado de alguns fármacos,pode provocar efeitos colaterais graves,o que agrava o caso.
Outro fator motivador,a ser considerado,é a ineficiência da saúde pública em fornecer atendimentos e remédios suficientes e de qualidade,atrelado a ignorância da comunidade,que não fornecem atenção necessária à saúde,recorrendo a automedicação.À luz dessa ideia,torna-se notório a obra “Sujeito Líquido” de Zigmunt Bauman,no qual o autor apresenta o conceito de “instituição zumbi”,o qual sugere que algumas entidades,no contexto vigente,configuram-se como “zumbis”,ou seja,mantêm suas formas,mas sem exercerem suas respectivas funções sociais.Paralelo a esse pensamento,cabe ressaltar a ineficiência do Sistema Único de Saúde,apresentando-se como uma “instituição zumbi”.Com efeito,a falta de prescrição médica e o uso exacerbado de substâncias,pode provocar a intoxicação de medicamentos,o que provoca a morte.
É necessário,portanto,promover ações as quais alterem esse quadro.Logo,cabe ao Ministério da Saúde,órgão responsável por fornecer uma saúde de qualidade,amplificar os atendimentos públicos em todo o território nacional,por meio da instalação de novas clínicas com médicos qualificados,a fim de reduzir a automedicação entre os seres.Ademais,é dever da mídia,como mediadora de conhecimento e informação,alertar a população o perigo de se automedicar,por intermédio de ficções engajadas,como séries e filmes,com a finalidade de diminuir os óbitos gerados pelo ato.Dessa maneira,será possível minimizar o impasse.