Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/07/2020
No período em que ocorreu o movimento denominado Iluminismo, houve diversas descobertas de cunho tecnológico e científico, inclusive o aperfeiçoamento da medicina, desenvolvendo maneiras para tratar doenças, como os medicamentos. Hodiernamente, o acesso a fármacos é bem maior que na época citada, promovendo mais facilidade aos indivíduos para sanar alguma doença. No entanto, tal uso de medicamentos sem supervisão profissioanal, pode trazer muitos riscos a saúde, fazendo-se necessário analisar como a globalização e a ação populacional agravam a problemática.
A priori, é essencial elencar o método do filósofo René Descartes, o qual instigava o indivíduo a questionar as informações disponíveis, diminuindo as consequências e auxiliando na promoção de um senso crítico. Contudo, com a globalização e a inserção da tecnologia na sociedade, é perceptível que tal metodologia não é aplicada, uma vez que, ao analisar a temática da automedicação, a facilidade e a comodidade na busca por tratamentos através da internet, provoca a negligência social, visto que medidas alternativas se tornam as mais buscadas, em detrimento da ajuda profissional. Tal atitude corrobora com o desenvolvimento de severas consequências devido ao uso inadequado e inassistido de fármacos, tais como sendo infeccção medicamentosa ou até resistência bacteriana, elevando a necessidade de procedimentos médicos que antes seriam desnecessários.
Outrossim, é necessário citar que o hábito da populaçaõ de realizar o autodiagnóstico é um dos principais fatores para que a problemática persista. Isso se deve pela “Cultura do Imediatismo”, termo designado pelo polonês Zygmunt Bauman, a qual é definida como sendo um comportamento social pela procura de respostas e ações que não demandem muito tempo, fato que explica o uso da internet com o intuito de relacionar sintomas e formas de tratamento, tudo de forma online e sem uma avaliação profissional segura. Apesar disso, tal postura pode trazer diversos riscos, tanto pelo uso indiscriminado de medicações paliativas, como também pelos efeitos colaterais que as pessoas podem vir a demonstrar, tornando a automedicação uma ameça a saúde pública global.
Portanto, é perceptível que o costume errôneo da ingestão de medicações sem prescrição pode trazer diversas consequências, refletindo na saúde da sociedade de forma negativa. Dessa forma, o Ministério da Saúde, em parceria com empresas midiáticas, pelo seu alto poder de persuasão, deve providenciar a efetivação de campanhas que demonstre para a população, através de uma divulgação com informações comprovadas e seguras, possíveis efeitos colaterais de alguns fármacos usuais, incentivando-os a buscar ajuda profissional antes de ingerir algum medicamento, diminuindo, assim, a automedicação e, por conseguinte, garantindo um uso responsável e atenuando a problemática.