Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/07/2020

A realidade da saúde pública já é bem conhecida no Brasil. Hospitais lotados com filas, despreparo ou mesmo descaso médico são apenas alguns tristes fatos desse panorama. Contudo, motivado por esse cenário de abandono na saúde, muitos tem procurado soluções por seus próprios métodos através da prática da automedicação. Dessa forma, sem a formação de especialista adequada, essa medida representa um risco à saúde do cidadão e, por esse motivo, deve ser combatida.

Primeiramente, pode-se notar que, em muitos casos, a automedicação nada mais é do que a consequência de uma doença comportamental moderna: a cibercondria. Definida como uma compulsão ao autodiagnóstico de doenças através do uso de meios atuais de busca de informação na Internet, a cibercondria leva indivíduos a também pesquisarem e comprarem, de maneira online, toda uma miscelânia de medicações de maneira muito fácil e acessível. Farmácias online que não exigem receita e propagandas de remédios milagrosos são, de fato, catalisadores da automedicação a essa parcela de brasileiros.

Ademais, vale ressaltar que, apesar de órgãos governamentais como a ANVISA já terem restringido mais a venda de certas classes de remédios, a automedicação não sofreu queda significativa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem obrigado as farmácias, desde a década de 90, a restringir a venda de anorexígenos, psicotrópicos e antibióticos exclusivamente com a apresentação de recita. Contudo, se por um lado tal medida visava controlar o abuso dos remédios para emagrecer, para dormir e para curar infecções, por outro lado, não impediu que os adeptos da automedicação encontrassem seus meios, muitas vezes ilegais, de adquirir esses medicamentos. Como consequência, hoje, no Brasil, o fármaco “Rivotril”, psicotrópico para tratar a insônia, é o segundo lugar em vendas, só perdendo para os analgésicos, como aspirina.

Portanto, é notório que a automedicação é um problema que deve ser combatido pois se trata de uma ameaça à saúde pública. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, através dos Conselhos Regionais de Medicina, exigir que os médicos receitassem de maneira online qualquer medicamento que o paciente venha necessitar. As farmácias, por sua vez, seriam as únicas a ter acesso a esse mesmo sistema e, na hora da venda, identificaria cada cliente mediante um documento pessoal. por meio dessa ação, ficaria praticamente impossível que um indivíduo tivesse acesso a medicamentos se o mesmo não tivesse passado por uma consulta prévia com um profissional e, como consequência, a automedicação - além das letras ilegíveis nas receitas manuscritas de muitos médicos - se tornaria prática do passado.