Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/07/2020
Segundo a Constituição Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos. Todavia, diante da ineficácia estatal em prover as necessidades gerais, parte dos brasileiros tende a consumir remédios por conta própria, sendo a automedicação um grave problema para o país. Nesse contexto, cabe avaliar como a falta de qualidade nos serviços públicos de saúde e a mídia contribuem para tal questão. É fato que a falta de oferta de serviços de saúde leva muitos cidadãos à farmácia, sem consulta médica. Nesse viés, é notório que os serviços da rede particular não são acessíveis para a maioria das pessoas, e a esfera pública tem muitos problemas: longas filas, ausência de profissionais e equipamentos, e outras falhas. Entretanto, o sistema público deveria oferecer tais atendimentos com qualidade, pois, como pensava Thomas Hobbes, grande filósofo, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar dos membros da sociedade. Como resultado, uma parcela dos brasileiros se automedicam, ficando expostos à intoxicação e ao possível agravamento dos sintomas.
Além disso, é imperativo ressaltar a massiva propaganda midiática de remédios como fator para a automedicação. Diariamente, a indústria farmacêutica divulga propagandas que incentivam o uso autônomo de fármacos. Segundo o pensador Frederick Skinner, os hábitos culturais são construídos socialmente, e podem sofrer influências do Governo, educação, ou, como no caso em questão, da mídia e das indústrias. Consequentemente, a compra não prescrita por médicos de remédios tornou-se um hábito culturalmente compartilhado, mesmo sendo uma prática que mata muitos brasileiros anualmente, e atrasa diagnósticos de doenças graves.
Portanto, é necessário que o problema da automedicação seja enfrentado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde a ação de aumentar a estrutura de postos de saúde, com investimentos em profissionais e equipamentos proporcionais à densidade demográfica local, por meio de proposta junto à Lei Orçamentária, com finalidade de receber mais pessoas, evitando que se automediquem. Outrossim, o Governo Federal, em parceria com a mídia, mediante campanhas publicitárias, deve alertar a população sobre as consequências do hábito de consumir medicamentos autonomamente, o que resultará em mais reflexão sobre o tema. Assim, com a união de múltiplos agentes, o Estado combaterá a automedicação, e cumprirá seu dever constitucional.