Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/07/2020
De acordo com Marthim Luther King, todo progresso é precário, e a resolução de um problema coloca–nos diante de outro. Nesse sentido, um dos obstáculos mais frequentes em relação aos debates sobre
a saúde da população brasileira se deve à automedicação no século XXI. Diante disso, dois aspectos fazem-se relevantes: o ritmo de vida imposto pelo sistema capitalista, bem como a precaridade das áreas de saúde. Por isso medidas atitudinais são necessárias para reverter o cenário atual.
De início, é válido ressaltar que a necessidade imposta pelo sistema capitalista de produzir pessoas, principalmente, estudantes com rotinas aceleradas o que contribui para o processo da automedicação. Nessa conjuntura, de acordo com a jornalista Eliane Brum, em seu texto “Exaustos, correndo e dopados”, explicita a realidade do mundo contemporâneo: uma sociedade em busca constante pela aprovação, o que leva ao cansaço excessivo. Sob tal ótica, percebe-se que tal lógica se encaixa no assunto em questão, visto que as pessoas se encontram dopados de remédios, criados pelas indústrias capitalistas, com o intuito de produzir e acelerar mais o ritmo de vida que é imposto no meio social. Com isso, as pessoas acabam vivenciando o que a jornalista relata em seu texto, buscando se auto-
-medicarem com pílulas de ritalina, bem como a cafeína para conseguirem manter uma rotina agitada.
Ademais, é válido salientar que a maneira precária em que se encontram as áreas de saúde, como os hospitais públicos acaba contribuindo para o processo da automedicação. Nessa perspectiva, de acordo com o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988, todos têm direito à saúde. Nesse viés, nota-se que tal pressuposto não é exercido em sua totalidade, uma vez que a população brasileira se encontra no uso constante da medicação por conta própria e sem receitas médicas. Isso ocorre devido à falta de sistemas de saúde com um rápido atendimento e profissionais qualificados. Consequentemente, a automedicação de forma errada e exagerada, principalmente, com antibióticos acaba contribuindo para problemas na vida dos indivíduos que praticam esse ato, como a hemorragia e a insuficiência renal.
Destarte, é necessária uma cooperação mútua entre Estado e sociedade. Para que isso ocorra, cabe ao Governol, proporcionar melhorias nas áreas de saúde, por meio de investimentos em hospitais públicos com profissionais qualificados e em grande número, com o intuito de melhorar os atendimentos e inibir o ato da automedicação. Por fim, compete à sociedade, por intermédio das mídias, já que são as ferramentas digitais de maior alcance contemporaneidade, discutir a importância de tomar remédios apenas com receitas, como também, manter um ritmo de vida saudável sem medicamentos, a fim de proporcionar o conhecimento das pessoas sobre essa prática. Assim, ao contrário do que afirma Marthim Luther king, será possível solucionar um problema sem a criação de outro.