Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/07/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade harmônica, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, chama a atenção o crescente número de pessoas automedicadas, o que pode acarretar sérios problemas na sociedade e rompe o corpo social ideal idealizado pelo autor. Nesse contexto, os dilemas que envolvem tal processo ocorrem, sobretudo, por questões educativas e propagandas fármacas constantes.
Precipuamente, cabe destacar que o que mais motiva a automedicação é a falta de informação, pois muitos indivíduos desconsideram as sérias consequências dessa prática. Nesse sentido, consoante a Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. E, em linhas gerais, a falta de educação sobre tratamentos medicamentosos não só causam a ineficácia das substâncias fármacas, quando de fato são necessárias, como também causam a morte. Nessa perspectiva, uma pesquisa divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz indicou situação de alerta pelo crescente número de micro-organismos resistentes à antibióticos, o que também pode causar superlotação da rede pública de saúde. Além disso, segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, o Brasil contabiliza o exorbitante número de 20 mil mortes anuais por consequência da automedicação.
Ademais, é importante salientar que as superabundantes propagandas de fármacos na mídia são presentes na sociedade. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural é responsável por oferecer produtos que por promovem uma satisfação compensatória e efêmera que agrada os indivíduos. Sob essa perspetiva, o grande de número de medicamentos divulgados para tratar as mais diferentes queixas sobre dores conduz uma considerável parcela da população a ignorar à ida ao médico e fazer o auto tratamento com substâncias, muitas vezes vistas em propagandas televisas, a exempli gratia, o crescente número de novos analgésicos. Segundo a Associação da Indústria Farmacêutica houve um aumento de 63% no consumo de analgésicos à base ópio entre 2010 e 2016.
Em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são necessárias para conter tal problemática. Torna-se, então, necessário que o Ministério da Saúde atue em conjunto com a mídia em projetos de cunho elucidativo sobre a importância da consulta médica antes de fazer o tratamento com qualquer substância medicamentosa. Isso pode ser feito com palestras de profissionais da saúde tanto em escolas e universidades, bem como nas mídias de rádito, tv e internet para solidificar o conhecimento da população acerca do tema e coibir os atuais e danosos comportamentos. Outrossim, a interferência do Ministério da Saúde quanto as propagandas também faz-se necessária, tornando obrigatória o alerta de apenas consumir medicamentos apenas com assistência médica.