Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 22/07/2020

Na célebre obra cinematográfica “Sem Limites”, o protagonista Eddie abusa de medicamentos para melhorar seu desempenho profissional, gerando uma série de efeitos colaterais que ameaçam a sua saúde. Não obstante da ficção, a sociedade contemporânea sofre do mesmo mal que assola o personagem Eddie, fazendo uso de fármacos sem a devida prescrição médica. Essa automedicação decorre, sobretudo, das raízes culturais brasileiras, o que resulta em sequelas agravantes no bem-estar do corpo social.

Primeiramente, é preciso salientar que a problemática persiste por meio de hábitos reciclados desde a formação do Estado brasileiro. No início do Brasil Colônia, havia o senso comum das consultas serem feitas por boticários, farmacêuticos por embasamento empírico e não científico, que receitavam ervas medicinais para os enfermos, embora não detivessem os conhecimentos necessários para tal atitude. Em contrapartida, a tradição se renova a cada geração e se mantém na atualidade, uma vez que os indivíduos permanecem se automedicando conforme lhe convém, desprezando as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que reprova esta prática devido suas consequências avassaladoras. Isso demonstra, por sua vez, que o maior empecilho para transformação desse quadro é, acima de tudo, a imprudência e falta de instrução.

Secundariamente, a manutenção do ato de se automedicar desencadeia efeitos nocivos ao organismo humano, validando a necessidade de sua abolição. Segundo Charles Darwin, o ser mais adaptado sobrevive ao meio. A partir desta teoria, a comunidade científica discorre que a excessiva e equivocada utilização de medicamentos constrói um ambiente propenso às bactérias, que tornar-se-ão mais adaptadas por causa do uso imoderado.  Logo,  caso haja continuidade de tal hábito, irá gerar novas enfermidades que dificilmente serão combatidas, sendo necessário, porquanto, uma solução.

É mister, portanto, reverter esse cenário de consumo demasiado para que a população não sofra os malefícios consequentes. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com os agentes midiáticos, deve promover uma campanha de conscientização nas redes sociais, por meio de palestras online com especialistas do ramo da saúde, para que todos tenham fácil acesso às informações e alterem seu modo de vida. Somente assim, os indivíduos não compartilharão dos mesmos males que acompanhavam o personagem Eddie e poderão se desvencilhar das amarras da automedicação.