Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 25/07/2020
De acordo com o médico Paracelso, “A diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem”. Fora das conjecturas, a afirmação do cientista realça a necessidade de existir consciência na utilização de medicamentos, fato esse que, infelizmente, é ignorado por grande parte da população brasileira, devido a uma série de fatores, dentre eles a escassez de um atendimento médico de qualidade e a persistência da sociedade em negligenciar a própria saúde.
Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o maior bem-estar possível da população a qual um Estado administra. Entretanto, no que tange ao prover da assistência médica eficiente, o Governo ainda é falho, pois em diversas localidades, devido a falta de profissionais qualificados, uma consulta pode levar meses para ser efetuada, e, devido a isso, vários enfermos acabam por optar tomar um remédio que funcionou em alguma outra situação em que possuiu sintomas semelhantes a sequer tentar marcar o atendimento ao qual tem direito. Dessa forma, caso a doença cesse, ele acaba por espalhar a suposta eficiência do medicamento para a comunidade em que vive, eficácia essa que, porém, nem sempre existirá, o que acaba por, em algum momento, custando a vida de alguém que negligenciou receber ajuda qualificada.
Concomitante a isso, o fator socioeconômico não é o único delimitante para esse terrível hábito da sociedade, pois, segundo pesquisas da OMS, cerca de metade da população mundial tem o costume de se automedicar. Logo, essa dado demonstra que além da falta de oportunidade, é inerente à natureza humana temer a morte e, por isso, ao invés de buscar um atendimento quando qualquer evidência de uma complicação de saúde aparece, prefere convencer-se de que é apenas um incômodo efêmero e que o restante de uma medicação a qual possuía em casa resolverá o problema, lógica essa que, infelizmente, ceifa milhões de vidas, seja por overdose ou pela própria enfermidade ser algo mais severo do que o imaginado, fato esse demonstrado pela ONU, em um relatório que indica que dez milhões de pessoas morrerão até 2025 em decorrência da automedicação.
Faz-se necessário, dessarte, a reversão desse estágio crítico. Nessa lógica, cabe ao Ministério da Saúde não só divulgar em rede nacional e pela internet vídeos que demonstrem casos de pacientes que tomaram medicação por conta própria e acabaram prejudicados, para que esse tipo de tragédia deixe de acontecer, mas também elaborar um sistema de atendimento gratuito que funcione via internet ou telefone, em que profissionais da saúde forneçam consultas simples e rápidas, e nelas indiquem o remédio a ser tomado ou, em casos mais complexos, a devida indicação ao especialista correto, para que haja uma eficiência maior do Sistema Único de Saúde, e, assim, o ideal platônico seja verossímil.