Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/07/2020

A descoberta da Penicilina, pelo médico e biólogo Alexander Fleming, revolucionou os estudos da Farmacologia, permitindo que milhares de vidas fossem salvas. Hoje, vários medicamentos são desenvolvidos e utilizados, sendo realmente muito importantes para a saúde pública. No entanto, muitas vezes, as pessoas passam a utilizá-los de maneira irresponsável e sem prescrição médica, para  ter alívio rápido do sintoma que apresenta. A automedicação é algo preocupante e pode ser influenciada pelas propagandas de televisão e pelo fácil acesso a informações falsas na internet, podendo causar graves consequências ao indivíduo.

Inicialmente, um grande fator que contribui para a decisão de se automedicar são os comerciais  de vários remédios, que não necessitam de prescrição, transmitidos nos meios de comunicação. Eles até são regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas não trazem as orientações devidas ao consumidor, que pode ingerir o fármaco de modo incorreto, por não ter o apoio de um médico.  Além disso, a internet também está associada a essa escolha, uma vez que é possível pesquisar sobre possíveis remédios eficazes para algum tipo de dor ou incômodo. Porém, não se leva em consideração que as informações encontradas podem ser falsas e duvidosas, e que o organismo pode sofrer efeitos indesejados por não ter uma prescrição médica.

Ademais, reações alérgicas, intoxicações e até mesmo a morte, podem ser consequências da automedicação . Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2015, mais de 60 mil brasileiros tiveram que procurar ajuda médica, por terem consumido medicamentos por conta própria. E,  segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, cerca de 30% desses casos citados acabam indo a óbito. Convém lembrar que a Penicilina, que antes era revolucionária, hoje, quase não é mais usada. Isso também acontece com outros antibióticos, por causa do uso exagerado e sem necessidade deles, o que pode levar a formação de superbactérias, muito resistentes aos remédios, fato que reduz a eficácia da substância e dificulta o tratamento de uma doença.

Em virtude dos fatos mencionados, infere-se que a automedicação deve ser combatida e a população deve ser melhor informada sobre os riscos de tomar medicamentos sem indicação médica. Para isso, o Ministério da Saúde juntamente com  o das Comunicações devem desenvolver um site que possua informações sobre o assunto. Nele o doente poderá digitar seus sintomas e serão apresentadas possíveis causas e fármacos que podem ser usados sem prescrição, orientando sobre as doses e horários corretos, e incentivando a busca por ajuda médica. Assim, muitas vidas poderão ser salvas, e descobertas fundamentais, como a de Alexander Fleming, não terão que ser abandonadas.