Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 28/07/2020

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante o acesso à saúde a todos os cidadãos. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido, e a automedicação se torna a saída para muitos. Nessa perspectiva, percebe a inoperância estatal, bem como, o comportamento dos indivíduos sendo fatores contribuintes para o desequilíbrio social.

Em primeira instância, é importante ressaltar que a falta de investimento em políticas públicas voltadas à saúde contribui para o uso de remédios sem prescrição médica. De acordo com o filósofo Rousseau, o governo deve garantir o bem-estar individual e coletivo. Entretanto, na prática esse pressuposto muitas vezes não é seguido, tendo em vista o pouco repasso de capital destinado a melhoria na qualidade de hospitais e postos de saúde. Por conseguinte, as pessoas preferem se automedicar para evitar a ida aos estabelecimentos públicos em estados precários.

Além disso, outro fator, o qual influencia nessa questão, são as ações da população no tecido social. Consoante a Teoria do Habitus, elaborado por Pierre de Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidas pelas pessoas. Nesse viés, percebe-se que o comportamento de tomar remédios sem receitas se tornou algo comum, sendo a mídia e a indústria farmacêutica grandes influenciadoras de propagandas. Logo, essas atitudes estão interligadas a diversos malefícios, como a dependência de substâncias, os sintomas mais graves podem ficar ocultos e a indução de bactérias resistentes.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para dirimir os problemas relacionados a automedicação. Em vista disso, o Ministério da Saúde, em consonância com as Secretarias Regionais, deve investir em políticas públicas para a saúde, por meio de emendas constitucionais, as quais permitem a destinação de capital para os diversos estados do país, em especial para os locais mais carentes, com o objetivo de incentivar a ida das pessoas ao centro médico quando tiver qualquer sintomas. Ademais, o Ministério da Educação deve propagar informações sobre os perigos do uso de substâncias sem prescrição, principalmente nas escolas e na mídia, com o intuito de conscientizar pais e filhos a mudar os hábitos prejudiciais à saúde. Assim, a lei constitucional será cumprida e haverá equilíbrio social.