Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 30/07/2020

Segundo o conceito de modernidade líquida, desenvolvida pelo filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, a sociedade é caracterizada pelo imediatismo, ou seja, busca apenas o que apresenta ser mais fácil. Sob essa linha de pensamento, compreende-se que a automedicação é produto dessa realidade líquida presente no século XXI. Sendo assim, deve-se analisar não só as causas a respeito do auto uso de medicamentos, como também os riscos que essa audaz prática pode acarretar.

Primordialmente, cabe verificar a relação entre o sucateamento do sistema público de saúde e a automedicação. Nesse panorama, a música “Sem saúde”, do cantor e compositor Gabriel Pensador, retrata um eu-lírico indignado com a precária realidade dos hospitais públicos e a demora no atendimento. Ao analisar a letra de tal canção, observa-se uma proximidade com a atual realidade brasileira, justificando, assim, o uso de medicamentos sem supervisão de profissionais, uma vez que parte dos indivíduos, tomados pelo imediatismo presente na contemporaneidade líquida, optam por ingerir remédios sem precisar enfrentar a precariedade estrutural das instituições estatais de saúde. Logo,  é necessária verbas governamentais para reverter esse quadro.

Por conseguinte, é imprescindível destacar os danos que essa prática causa. Nesse viés, o doutor Drauzio Varella, em um vídeo na plataforma de “streaming”, Youtube, fala sobre os riscos que o uso autônomo de remédios causa. Tal profissional afirma que o abuso de antibióticos pode acarretar no desenvolvimento de superbactérias, isto é, bactérias com mais resistência. Essa problemática pode ter graves consequências, uma vez que se torna mais difícil o desenvolvimento de tratamentos eficazes contra doenças bacterianas. Além disso, o doutor ainda afirma a possibilidade de efeitos colaterais como, até mesmo, o óbito. Isso se verifica, por exemplo, na morte de celebridades como Michael Jakcson e Elvis Presley, provocado pelo uso autônomo de remédios, segundo o jornal LifetimePlay. Dessa forma, é evidente as horrendas consequências que essa prática pode causar.

Não resta dúvidas, portanto, sobre os perigos que o auto uso de fármacos pode acarretar. Para combater esse impasse, urge que o Estado, na imagem do Ministério da Fazenda, invista na saúde pública por meio de verbas consideráveis, sobretudo na infraestrutura local, com o objetivo de atender um maior continente populacional, com o fito de melhorar o atendimento. Além disso, o Conselho Federal da Farmácia deverá atentar os cidadãos sobre os perigos da automedicação por intermédio de informações presentes nas bulas dos remédios, de forma bastante destacada, com o objetivo de chamar a atenção do leitor para não tomar medicamentos sem supervisão médica. Somente dessa maneira, as superbactérias irão ser efetivamente combatidas, haja vista o maior cuidado da população.