Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 30/07/2020

Na série “Euphoria”, os personagens principais fazem uso indevido de medicamentos por consequência de problemas pessoais ou profissionais, resultando em um ciclo social totalmente dependente de tais remédios que lhes dão a sensação de alívio, muitas vezes os consumindo sem a menor necessidade. Diante disso, infelizmente a narrativa não se destoa da realidade brasileira, haja vista que não apenas, mas principalmente os jovens, abusam de medicamentos com o objetivo de melhorar seu desempenho em busca de resultados positivos. Essa realidade se deve, essencialmente, à grande influência do uso de tais medicamentos em meio social e à falta de fiscalização.             Durante esse cenário, é válido ressaltar a forte influência negativa do uso de medicamentos em meio à sociedade, a fim de resultar na disposição física e mental. A exemplo disso, podemos levar em consideração o documentário “Take your pills”, onde é retratado a narrativa de estadunidenses que usam remédios sem prescrição médica no intuito de aumentar sua performance escolar. Por conseguinte, muitos procuram o “milagre” causado pelas pílulas sem refletir sobre os problemas graves que esse consumo pode causar, podendo chegar à morte. Segundo a OMS, por conta de atitudes irresponsáveis como essas, todos os anos ocorrem cerca de 20 mil mortes por automedicação, resultando em uma crescente problemática por falta de orientações médicas essenciais.

Além disso, um dos pilares para a ocorrência do auto consumo de medicamentos, é a falta de fiscalização, acarretado pelo descaso governamental. Atualmente, percebe-se a facilidade em acessar remédios sem uma prescrição médica, oferecendo um certo risco à saúde de um indivíduo que decide por conta própria qual remédio deve usar. Ademais, muitas pessoas vendem remédios sem receita nas chamadas “drogarias”, ou utilizando a internet, onde centenas de jovens e adultos consomem remédios que têm sua comercialização proibida no Brasil pela ANVISA, como o “Cytotec”, remédio com potencial abortivo que é vendido facilmente sem saber os possíveis riscos de reações adversas.

Em suma dos argumentos apresentados, devem ser tomadas medidas. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas, o qual promova palestras com profissionais da saúde, explicitando todos os possíveis problemas gerados pela automedicação. -uma vez que o diálogo é de suma importância para o entendimento do assunto- a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral -por conseguinte- conscientizem-se. Desse modo, a realidade de Euphoria não se tornaria algo presente no nosso cotidiano.