Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 30/07/2020

Na série estadunidense “O Bom Doutor”, um paciente sofre graves complicações após ingerir diversos remédios sem prescrição médica. Analogamente, tal situação evidencia a criticidade da automedicação vivenciada no século XXI. Nesse contexto, entende-se a necessidade de lidar com a problemática, que é causada pela deficiência hospitalar pública e resulta em agravamentos na saúde dos indivíduos.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que a automedicação deriva da precariedade do sistema de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, a demora no atendimento é o principal problema do SUS. À vista disso, pela dificuldade de conseguir uma consulta, cerca de 77% dos brasileiros desenvolvem o hábito de se automedicar, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia. Como consequência ao uso indevido de fármacos, os micro-organismos patogênicos podem ficar mais resistentes, modificando-se pelo processo de seleção, o que agrava os casos de doenças infecciosas.

Ademais, é imperativo ressaltar a complicação da saúde como resultado da automedicação. À luz dessa ideia, entende-se que a combinação de remédios sem a orientação de profissionais pode causar, ao invés de benefícios, reações alérgicas, vícios e, em casos graves, a morte. Dessa maneira, comprova-se o pensamento do poeta Pablo Neruda de que somos livres para fazer nossas escolhas, mas somos prisioneiros das consequências.

Dessarte, intervenções são necessárias para solucionar esse caso deletério. Portanto, urge que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, com o auxílio da mídia, realize campanhas informativas acerca dos perigosos da automedicação, por meio de reportagens e propagandas, com o intuito de coibir a prática dessa ação. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo aprovar leis que aumentem a verba destinada ao aperfeiçoamento dos hospitais públicos, a fim de melhorar o atendimento no país. Isto posto, a problemática apresentada será gradativamente mitigada e evitar-se-ão situações como as de “O Bom Doutor”.