Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/08/2020
O documentário americano “Take your pills” retrata a vida de pessoas dependentes de medicamentos estimulantes, os quais são receitados ao público que possui déficit de atenção ou hiperatividade. Entretanto, tais remédios passaram a serem ingeridos por indivíduos saudáveis que os utilizam visando à melhoria do rendimento nas suas atividades, sem qualquer orientação médica para a efetivação do uso. Fora das telas cinematográficas, vários brasileiros têm aderido também a automedicação, o que se caracteriza, muitas vezes, como um comportamento nocivo à saúde. Tal atitude é tomada devido à tentativa de curar a enfermidade de forma mais cômoda e à propaganda desenfreada de fármacos sem o alerta do perigo a partir de sua ingestão.
Em primeiro lugar, vale lembrar que o sistema de saúde do Brasil ainda é bastante falho, por causa da escassez de profissionais e de instrumentos. Tendo em vista esse cenário, diversos cidadãos preferem se automedicar do que enfrentar toda a burocracia para ter acesso aos médicos, já que todo o processo pode demorar meses, porque só pode marcar a consulta quando há disponibilidade de especialistas na área e, na maioria das vezes, a demanda é muito grande. Portanto, a dificuldade e o custo para conseguir uma prescrição segura conduz as pessoas a tomarem remédios por conta própria e isso se torna ainda mais nocivo quando passa a ser um ciclo, pois um indivíduo ingere o fármaco e resolve o problema, então ele indica aos outros indivíduos e, assim, sucessivamente. É possível comprovar por meio dessa conduta a “Teoria do Habitus” de Pierre Bourdieu: a sociedade possui padrões que são naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Contudo, automedicação é uma pratica altamente arriscada, porquanto cada organismo tem sua particularidade e deve ter um diagnóstico individual.
Outrossim, a falta de informação nas propagandas e nas embalagens dos remédios faz com que um grupo de pessoas acreditem que não existem malefícios na ingestão dos fármacos, já que servem para curar. Porém, esses medicamentos podem acarretar vícios, estresse, ansiedade, alergias, e complicações fisiológicas, por isso, é de extrema importância conhecer bem as indicações e contraindicações. Além disso, a utilização desordenada de remédios tem potencial para causar efeitos contrários, ou seja, a pessoa não soube identificar a doença corretamente e tomou um fármaco que potencializou o antígeno ao invés de matá-lo. Logo, a melhor opção é sempre procurar um médico.
Destarte, é inegável que a automedicação possui diversos perigos. Portanto, é preciso que o Ministério da Saúde contrate mais médicos e construa de postos de saúde, por meio do destino de verbas à esses serviços, para que a população tenha fácil acesso ao Sistema de Saúde e possa resolver suas enfermidades de maneira rápida, segura e eficaz , a fim de parar de se automedicar.