Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 04/08/2020

O Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, divulgou em 2018, uma pesquisa que demonstrava que 79% dos indivíduos com mais de 16 anos já se automedicaram ao menos uma vez. Assim como a pesquisa enfatiza, observa-se que a população brasileira consome altas quantidades de medicamentos sem orientação médica, tornando-se necessário discutir medidas para resolver o entrave. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do capitalismo farmacêutico e da má influência midiática.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a busca pelo lucro presente na questão, caracterização pelo capitalismo farmacêutico. Nessa perspectiva, foi realizado pela Anvisa um levantamento, constatando que em 2017 o setor farmacêutico teve um faturamento de aproximadamente R$69,5 bilhões no Brasil. Desse modo é fundamental destacar que é crescente a movimentação financeira relacionado à empresas desta natureza, esse aumento está intimamente ligado ao maior consumo das drogas lícitas comercializadas no país sem prescrição médica, fato que propicia um maior consumo de fármacos, pela população, em quantidades errôneas.

Outrossim, a automedicação encontra terra fértil na má influência da mídia. Nesse aspecto, a máxima de Pierre Bourdieu de que “O que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão” cabe perfeitamente. Desta forma, tem como consequência a mídia influenciando no consumo de medicamentos sem orientação médica, contribuindo para o aumento da dependência de fármacos, pois é notório que, ao ser transmitidas, as propagandas apresentam somente os benefícios sobre o uso dos remédios, incentivando o consumo.

Portanto, é importante viabilizar estratégias que promova a diminuição do uso de medicamentos sem indicação médica. À vista disso, o Ministério da Saúde deve criar a Lei TV sem Pílula, que proíba propagandas de medicamentos de qualquer espécie, objetivando diminuir a influência ao consumo de remédios e consequentemente diminuir o uso inadequado dos fármacos. Assim ressalta-se a importância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Mahatma Gandhi: " O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente".