Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/08/2020

No documentário ‘‘Take your pills’’, é retratado a narrativa dos jovens estadunidenses que usam remédios sem prescrição médica no intuito de aumentar sua performance escolar. Infelizmente a narrativa não destoa da realidade brasileira, na qual não apenas, mas principalmente os jovens abusam de medicamentos no objetivo de melhorar seu desempenho. Com a crescente concorrência e altos padrões exigidos dessa camada da sociedade, há uma procura pelo ‘‘milagre’’ oferecido nas cápsulas, o que acarreta em vícios e e severos malefícios futuros na saúde.

No livro ‘‘Sociedade do Espetáculo’’ do filósofo e Sóciologo Guy Deboral, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre darem o melhor show uma para as outras e aparentar perfeição. A teoria de comprava certa quando comparada ao altíssimos padrões atuais de nossa sociedade. Com a maior exposição trazida pela internet e uma competitividade acirrada, agravada pela globalização, espera-se cada vez mais perfeição do show de cada um. As metas se tornam cada vez maiores, as notas mais altas, os salários maiores e tudo, no final torna-se inalcançável, fazendo com que muitos recorram à fórmulas para tentar melhorar a performance.

Entretanto, os problemas não se encontram apenas nas causas da automedicação, mas estão muito presentes nas consequências dessa. Como toda droga, legal ou não, os medicamentos, caso usados fora de prescrição médica e sem necessidade, tornam-se um vício. O indivíduo se torna cada vez mais dependente dos remédios, levando-o a tomar cada vez mais, entrando em um ciclo. Além do vício, há de ser lembrado que a automedicação é um problema recente, dessa forma malefícios à longo prazo são desconhecidos.

Portanto, são necessária medidas que coíbam a problemática. O Ministério da Saúde deve dificultar o acesso aos ‘‘medicamentos de performance’’ por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que, para ter acesso ao remédio, deve haver uma consulta com um médico seleciona a fim de atestar a necessidade do uso e evitar falsificações. Espera-se, com essa medida, que a cultura da automedicação em ascensão seja freado no Brasil.