Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 08/08/2020

A partir da série americana “Dr. House”, o diretor Bryan Singer retrata o cotidiano do médico Gregory House. Nesse sentido, a obra demonstra a relação complexa que o protagonista enfrenta no que se refere ao uso de medicamentos, já que ele é viciado em remédios que diminuem sua dor muscular. Isso mostra que, apesar se ser uma obra fictícia, a temática da criação apresenta-se como uma questão real,visto que tal empecilho afeta a sociedade no cenário contemporâneo. Logo, apontam-se o surgimento da internet bem como a ineficiência do SUS como problemáticas notórias para o agravamento da automedicação no século XXI.

Mormente, observa-se a pesquisa publicada pelo IBGE, na qual, em 2016, 116 milhões de brasileiros estavam conectados à internet, sendo 63,3% usuários brasileiros acima de 10 anos. Isso posto, a sociedade obteve de maneira mais acessível informações a respeito de medicamentos e tratamentos medicinais com a criação e popularização da internet, o que incentivou a democratização do acesso ao conhecimento para grandes massas. À vista disso, tornou-se muito mais fácil se automedicar com o auxílio de meios em rede como o Google, bem como saber qual remédio tomar. Assim, a opinião médica profissional é banalizada, de modo que a compra de medicamentos inadequados se torna uma possibilidade provável, podendo desencadear efeitos colaterais graves ou reações alérgicas agressivas.

É relevante abordar, primeiramente, o pensamento de Zygmunt Bauman, no qual algumas instituições perderam sua função. Logo, embora mantendo sua estrutura, viraram “instituições zumbis” devido sua ineficiência. Consequentemente, percebe-se que instituições como o SUS tornaram-se falhas, já que fracassam em desempenhar seu papel social. Essa questão influencia empecilhos reais, pois intensifica longas filas de espera e a demora do atendimento em unidades básicas de saúde e compromete a relação médico e paciente. Logo, apesar de o ato de se automedicar ser visto como uma solução para o alívio de sintomas, frequentemente causa sequelas à unidades e profissionais da saúde.

Em suma, compreende-se que a automedicação se tornou um problema de saúde social. Por consequência, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas informacionais, veiculando conteúdos educativos a respeito da prática de se automedicar, visando denunciar as consequências do uso de remédios sem prescrição e incentivando a sociedade a repudiar a administração de medicamentos sem o auxílio médico. Ademais, o Estado deve disponibilizar recursos financeiros para o SUS, com o intuito de disponibilizar um sistema público de qualidade para a população. A partir dessas ações, espera-se promover melhoria significativa em relação a automedicação no séc. XXI.