Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

O escritor e jornalista Eduardo Bueno aborda em seu livro “Vendendo Saúde” o fato da indústria, desde o império brasileiro, trabalhar para criar uma reserva de consumidores e solidificar no imaginário popular a necessidade do uso de medicamento. Fora da ficção, a realidade brasileira atual ainda demonstra dificuldades envolvendo a automedicação. Nesse sentido, a falsa sensação de sabedoria bem como a influência da mídia frente a tal problemática corroboram para a revisão da automedicação.

Primordialmente, é válido pontuar a falsa sensação de sabedoria como uma das razões para a automedicação. Segundo o físico britânico Stephen Hawking, “ o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Portanto, como a impressão incorreta do conhecimento está diretamente relacionada aos maus hábitos culturais, sempre haverá alguém com indicações de medicamentos ou mesmo com receitas “milagrosas” naturais, que passaram de geração para geração, compartilhando essas informações com outras pessoas, e assim sucessivamente. Evidentemente, esse aprendizado infundado faz com que as pessoas com enfermidades se mediquem sem uma prescrição médica e, como consequência, adquiram intoxicação ou até mesmo dependência. Nisso, observa-se que a falsa sensação do saber é uma das notáveis causas da automedicação.

Em segundo análise, o ICTQ – Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade - realizou um levantamento que 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de drogas vendidos com a falta de prescrição médica. Paralelamente a isso, a interferência da mídia com inúmeras propagandas de medicamentos – realizadas por empresas farmacêuticas com o intuito de lucrar com as vendas dos remédios sem receituário – é um dos fundamentais motivos para a automedicação. De tal forma, a influência dos meios de comunicação está refletindo no consumo indiscriminados de medicamentos e na ação negativa nas prescrições, o que pode se agravar cada vez mais se esses problemas não forem resolvidos. Logo, evidencia-se que a atuação de propagandas possui um grande poder perante os cidadãos e relação direta com a automedicação.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de repensar na automedicação. Assim, cabe ao Ministério da Saúde fornecer informações para a sociedade sobre os malefícios da automedicação, por meio de campanhas, a fim de diminuir a automedicação e no número de intoxicações – causadas pelos medicamentos - e de dependências. Outrossim, compete ao Ministério Social potencializar a fiscalização das vendas de drogas sem as receitas necessárias, por intermédio de melhorias na legislação, de modo que diminua o consumo indiscriminado de remédios e que haja uma mudança no ponto de vista das receitas medicamentais.

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