Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem." Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. A partir desse pensamento, nota-se o grande perigo que a automedicação traz para a sociedade. Sendo que se apresenta muitas problemáticas no tocante a esse cenário, e assim, podemos apresentar como as principais o interesse das empresas farmacêuticas e a negligência comercial.

Primeiramente, é importante observar que conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Sob esse viés, percebe-se o quanto a automedicação e o interesse econômico das farmácias estão interligadas. Além de que se tornou muito mais fácil ir até o “Doutor Google” e se auto diagnosticar e então decidir de acordo com a internet qual seria o melhor remédio para tomar. Entretanto, muitas vezes o remédio não fará o efeito desejado, levando a população muitas vezes a continuar comprando remédios sem prescrição, ao invés de ir em médicos, e trazendo ainda mais malefícios a saúde, porém mais lucros a quem vende.

Além disso, convém lembrar que segundo o sociólogo Theodor Adorno, ao sistema capitalista, o homem interessa tão somente quanto consumidor, reduzindo, assim, a humanidade na indústria de consumo. Conforme tal pensamento, pode-se observar o quanto as propagandas influenciam as compras de remédios sem prescrição. Tal fato é decorrente da negligência comercial existente no Brasil, no qual em propagandas se fala apenas dos benefícios que tal remédio pode trazer e um aviso extremamente rápido de que caso os sintomas persistirem um médico deverá ser consultado, quando há o aviso. Logo, gera riscos a população ao influenciar o mau uso de remédios.

A partir dos fatos apresentados, nota-se a necessidade do Ministério Da Saúde alertar sobre o perigo da automedicação por meio de debates sobre o assunto, a fim de que a população que irá usar remédios sem prescrição, faça de forma consciente e que se necessário vá a um médico. Paralelo a isso, as mídias televisivas e sociais veicularem conteúdos educativos e responsáveis a respeito da prática de se automedicar, mostrando suas consequências visando com que a sociedade tenha um maior conhecimento dos possíveis efeitos. Assim os riscos da automedicação serão reduzidos, favorecendo a saúde da população.