Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 14/08/2020

Hodiernamente, nota-se que o processo de automedicação tomou proporções exorbitantes no espectro social brasileiro. Esse fato advém não somente da defasagem do setor de saúde pública, mas também de uma construção sociocultural perante essa prática. Nesse contexto, a inoperância estatal, atrelada ao uso inadequado de antibióticos tende a caotizar ainda mais tal problema. Consequentemente, esse cenário ocasiona uma seletividade de micro-organismos, bem como quadros de intoxicações.

É pertinente abordar, a priori, que mesmo a automedicação paliativa sendo importante para diminuir a demanda do sistema de saúde pública, sua utilização demasiada propende a apresentar riscos para os indivíduos. Visto que a inépcia do Governo em gerir medidas de informatização da sociedade acerca do assunto e, também, em promover a fiscalização da distribuição desses medicamentos pende a provocar uma banalização dessa situação e, assim, facilita o acesso das pessoas em relação a esses produtos. Ademais, em uma sociedade altamente tecnológica o ato de se automedicar ganha novos ares e, com isso, vislumbra-se a inversão de valores, onde o “Dr. Google” assume o papel de um médico. Destarte, ratifica-se a desmoralização da Carta Magna de 1988, assim como do profissional da saúde.

Por conseguinte, é visível que essa prática irracional supracitada tende a tornar-se prejudicial não só ao enfermo, que faz uso da medicação, mas também a toda a população. Posto que o consumo inadequado e indiscriminado, além de provocar casos de intoxicações que pode levar a morte, também é fator responsável pelo surgimento de superbactérias, uma vez que o uso incorreto do medicamento atua como agente na “seleção” de micro-organismos mais resistentes, fato esse consoante a teoria da  “ Seleção Natural” do biólogo Charles Darwin e, assim, compromete o funcionamento do SUS (Sistema Único de Saúde) e o bem-estar social. Logo, segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é hábito comum a 77% dos brasileiros, dessarte, reverbera-se a despretensão do Estado em findar esse problema.

Depreende-se, portanto, que a automedicação advém, principalmente da inaptidão do Governo em promover medidas plausíveis e da sociedade que não enxerga seus risos. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, por meio das Secretarias Municipais de Saúde, deve viabilizar maiores verbas, com intuito de possibilitar uma reestruturação no SUS e, com isso, sanar a demanda populacional no que se refere ao atendimento hospital e, além disso, fornecer campanhas e projetos que demonstre e alerte os cidadãos sobre os riscos de se automedicar, tudo isso, mediante as Mídias Sociais. Do mesmo modo, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), busque uma maior fiscalização perante a distribuição dos medicamentos, a fim de amenizar ou até erradicar esse empecilho.