Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 09/08/2020
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, usa o termo “pedra no meio do caminho” como metáfora para os obstáculos na vida de seu eu lírico. Dessa forma, é possível considerar que em todo trajeto haverá obstáculos que deverão ser vencidos. Analogicamente, fora do espaço literário, garantir que a automedicação seja erradicada na vida da sociedade brasileira ainda é um desafio devido, principalmente, à falta de informação somada ao acesso dificultado às consultas médicas.
Em primeiro plano, é importante citar a Teoria da Evolução de Darwin, onde, através da seleção natural, os seres mais aptos sobreviveriam na natureza. Nesse ínterim, os seres humanos se consideram criaturas muito inteligentes e capazes, mesmo sem curso superior, de definir que remédios devem tomar. Assim, é comum observar na sociedade hodierna não só a automedicação constante mas também dicas equivocadas recebidas por parte de amigos, familiares e até mesmo pela internet, sobre qual remédio é mais eficaz, desconsiderando, totalmente, o fato de que há efeitos colaterais, de cada organismo reage de uma forma e que pode-se desenvolver outros problemas.
Outrossim, a dificuldade para ter acesso à uma consulta devido, infelizmente, as péssimas condições do sistema de saúde brasileiro, corrobora para manutenção do uso de medicamentos sem prescrição médica. Ademais, é muito mais rápido ir à farmácia e adquirir remédios que não precisam de receita comparado as longas horas gastas nas filas para conseguir atendimento em um hospital. Dessa forma, é possível compreender porque há uma banalização do uso de remédios, mesmo que esse ato possa causar graves danos à saúde e a vida o que é comprovado pelos dados da Associação Brasileira de Industrias Farmacêuticas que revela a automedicação a responsável por cerca de 20 mil mortes no país.
Fica claro, portanto, que há grandes mudanças que precisam ser realizadas. Nesse sentido, já afirmava o pensador grego Heráclito “Nada é permanente, exceto a mudança.”, a fim de mostrar a transitoriedade existente no mundo e que cabe ao homem o intuito de mudar seus caminhos. Assim, as escolas devem investir em aulas que ultrapassem a visão conteudista, objetivando, através de palestras com profissionais qualificados, como, por exemplo, médicos e farmacêuticos, mostrar os perigos da automedicação e porque é essencial a prescrição médica. Dessa forma, a população terá informações adequadas e suficientes - que podem também ser reforçadas pela mídia - sobre o uso correto dos medicamentos, obtendo, por fim, a utilização mais racional, segura e eficaz. Logo, a “pedra no meio do caminho” da sociedade será removida.