Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

A série “Sob Pressão”, exibida pela Rede Globo, é retratado a rotina exaustiva de médicos emergencistas, dentre eles, Evandro, que realiza a automedicação para seus transtornos de ansiedade, por meio de um medicamento tarja preta.Nesse sentido, o cenário retratado assemelha-se ao atual cotidiano de muitos brasileiros no tocante ao excessivo consumo independente de remédios, muitos deles nocivos à saúde.Isso ocorre, muitas vezes, ora em função da influência virtual, ora pela falsa sensação de sabedoria.

Em primeiro plano, a rápida disseminação de informações, o meio virtual acaba por persuadir quem o consome. Nesse sentido, segundo o sociólogo Pierre Levy, as sociedades modernas vivem um fenômeno denominado por ele de ‘Novo Dilúvio’, termo usado para caracterizar a dificuldade de ’escapar’ do uso da internet. Percebe-se, então, que o conceito abordado materializa-se quando alienado ao consumo de remédios, pois, muitos confiam nos dados apresentados. Portanto, essas referências digitais, muitas vezes errôneas, trazem riscos ao consumidor além de torna-los cibercondríacos.

Paralelamente a essa dimensão virtual, nota-se que essa disponibilidade de dados desencadeia uma falsa sensação de sabedoria. Nesse sentido, conforme o falecido físico britânico, Stephen Hawking, o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento. De forma análoga a esse pensamento,infere-se que a ilusão de sabedoria, em conjunto com o consumo independente de remédios, traz riscos à saúde,pois os consumidores, muitas vezes, não possuem conhecimento algum mas confiam cegamente em seus conceitos.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de repensar a ingestão de medicamentos. Assim, cabe ao Legislativo elaborar leis que filtrem as informações expostas na internet, por meio do investimento na área de tecnologia de informações do Ministério de Ciência e Tecnologia, a fim de proteger os brasileiros inseridos na esfera cibernética. Outrossim, compete ao Ministério da Educação, e de Comunicações, conscientizar a população acerca da ingestão de remédios por meio de propagandas nos meios de comunicações,objetivando educar e ensinar os telespectadores. Dessa forma, além de formar cidadãos mais capazes de reconhecer tal perigo,será possível construir uma sociedade mais bem intencionada e preocupada com o bom estar.