Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 10/08/2020

O documentário ‘‘Take Your Pills’’ desenvolvido pela ‘‘Netflix’’ no ano de 2018 retrata a realidade de pessoas saudáveis que praticam a automedicação, utilizando remédios considerados estimulantes como Ritalina e Aderall, com a intenção de melhorarem sua perfomance no trabalho ou nos estudos. Em um mundo cada vez mais globalizado onde a competitividade e a alta demanda por resultados vêm se tornando cada vez mais rotineiras, é comum que se observe cada vez mais pessoas praticando a automedicação em busca de suprir esses requisitos, entretanto, tal prática pode vir a causar o desenvolvimento de reais doenças no indivíduo. Logo, convém analisar-se a causalidade deste impasse.

Em primeiro plano pode-se destacar a atual cultura de competitividade presente na sociedade hodierna que, cultuada por diversas instituições, como empresas e escolas, é, incontrovertivelmente, uma das causadoras do problema. Uma vez que, por conta da mesma, são exigidos do indíviduo resultados quase que inalcançáveis fazendo com que este acabe por se automedicar com remédios considerados estimulantes na expectaativa de alcançar a performance exigida. Desse modo, uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos Brasileiros, tornando clara a problemática da automedicação na contemporaneidade.

Consequentemente, devido ao hábito de se automedicarem, pessoas acabam por desenvolver dependência por estes medicamentos e desenvolvem complicações provenientes dos efeitos colaterais presentes nos mesmos. De acordo com o psiquiatra Renato Araújo: insônia, falta de apetite, perda de peso e irritabilidade são alguns dos sintomas colaterais do uso indevido de remédios considerados estimulantes além de que indivíduos com propensão psiquiátrica podem vir a desenvolver quadros psicóticos. Assim, fica claro que a questão da automedicação vem se tornando cada vez mais um problema que deve ser de responsabilidade geral, tornando clara a máxima do escritor Oscar Wilde:‘‘A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação’’.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para  a solução do revés apresentado. Destarte o Governo federal deve, Por meio do Ministério da Saúde, criar políticas públicas que visem dificultar o acesso à medicamentos sem prescrição médica, diminuindo aos poucos o hábito da automedicação na sociedade contemporânea. Para que assim, possamos superar a realidade mostrada no documentário ‘‘Take Your Pills’’ e avançar rumo ao progresso.