Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

“Não há nada na natureza que não seja venenoso, a diferença entre remédio e veneno está na dose prescrita”. Esse pensamento de Paracelso, suíço conhecido como o cientista da saúde, diz que a eficácia de um medicamento está na quantidade da dose. Porém, segundo pesquisas feitas pela revista “Encontro BH”, a população brasileira é um dos países que mais se automedica no mundo. Por esse motivo, é necessário discutir as implicações da automedicação, percebidas na administração indiscriminada dos medicamentos e a dependência química. A priori, devemos analisar o desperdício de recursos médicos por conta da administração indiscriminada desses medicamentos, isso porque, segundo o ministério da saúde, 60 mil pessoas foram internadas por motivo de intoxicação por abuso de medicamentos entre 2009 e 2014. Evidentemente, tal fato é consequência de uma sociedade que se informa pelo chamado “doutor Google”, ou seja, preferem buscar orientação sobre sintomas e qual medicação usar na internet, que a orientação médica presencial. Por conta disso, para amenizar os altos índices de internação em virtude de intoxicação e com isso melhor usar os recursos médicos, limitar a divulgação desse tipo de informação técnica na internet e advertir os usuários sobre esse problema, torna-se urgente. A posteriori, podemos pensar também, que além da má administração da automedicação, ainda existe a dependência química de tais substancias, tendo em vista que, o corpo pode se acostumar a se sentir bem com a sensação do remédio e isso pode se tornar um vício. A vista disso, a pessoa se acostuma com as doses pequenas e acaba tomando doses maiores (da substancia) cada vez mais, pois o corpo vai se acostumando com o efeito e deseja mais, esse vício faz mal ao corpo pelo simples fato que, quando for realmente necessário que o remédio faça efeito, o corpo já não responderá da mesma maneira. Dessa maneira, fica claro a necessidade de orientar os pacientes, incentivando-os a buscar auxílio de profissionais preparados, como os farmacêuticos, antes de consumir qualquer substância. Portanto, com o objetivo de diminuir os gastos possíveis da saúde pública e a dependência química, associado à grande problemática da automedicação no Brasil, se faz necessário controlar as informações médicas sobre as medicações disponíveis na internet, bem como orientar os usuários da automedicação quanto aos perigos envolvidos nessa prática. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, por meio das mídias televisivas e das mídias sociais, deve veicular conteúdos educativos a respeito da prática de se automedicar, mostrando suas consequências e os perigos em torno dessa ação, visando a motivar a sociedade a abdicar a administração de remédios sem o auxílio médico. Dessa forma, o problema pode ser contornado ao criar um novo ideal em que “Na existência de qualquer sintoma, o médico deverá ser consultado”.