Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”. Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma direta, a linha tênue que separa as duas faces que o remédio pode apresentar, demonstrando o quão perigoso o uso irresponsável de medicamentos pode ser. Porém, no Brasil hodierno, a automedicação ainda é uma prática comum, apesar de geralmente ser feita de modo equivocado e insensato. Nesse viés, fica claro que o surgimento da internet e o ineficiente sistema de saúde influenciam a problemática em questão.
A priori, é crucial destacar o meio virtual como um dos facilitadores desse impasse. De acordo com o Datafolha, mais da metade dos brasileiros se automedicam mesmo tendo uma prescrição médica. A partir desse dado, fica claro que, no Brasil, informações obtidas por meio da internet, que geralmente servem como base para a automedicação, são frequentemente priorizadas em detrimento de instruções fornecidas por profissionais qualificados, cenário relacionado à comodidade e habitualidade com que a internet é usada atualmente. Assim, devido a abundância de informações falsas nesse meio, é comum que indivíduos, pensando estar acatando um tratamento efetivo, sejam levados a adotar hábitos danosos e arriscados que podem piorar sua condição de saúde.
Ademais, é preciso relevar o impacto que o ineficiente sistema público de saúde tem no problema. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é comum que instituições, na atualidade, percam sua função social, mas ainda retenham sua forma, tornando-se “instituições zumbis”. Diante disso, fica claro que, o sistema de saúde pública nacional é inapto para exercer seu papel na sociedade, sofrendo de adversidades como a falta de médicos em regiões interioranas e o longo tempo de espera até o atendimento, situação que instiga a população a procurar tratamento para suas complicações por conta própria. Assim, muitas pessoas recorrem a automedicação, prática que pode acabar piorando o estado de saúde do indivíduo, já que regularmente é feita de modo equivocado.
Portanto, medidas factíveis são vitais para deter o avanço dessa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Saúde desenvolver campanhas para alertar a população sobre os perigos da automedicação, por meio do oferecimento de informações sobre o tema em instituições de ensino, como universidades e escolas, para que a sociedade fique ciente dos riscos que essa prática traz e passe a evitá-la. Paralelo a isso, é preciso que o Governo, mediante o Tribunal de Contas da União, encaminhe verba para o sistema de saúde, capital que será investido em áreas como infraestrutura e atendimento, a fim de fazer com que esse serviço satisfaça a população, acabando com a necessidade de se automedicar. Assim, tal revés pode ser combatido e nulificado.