Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 11/08/2020

“A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”. Essa frase de Paracelso, médico e físico suíço do século XVI, descreve, de forma bastante direta, a tênue linha que separa as duas faces que um remédio pode apresentar. Hodiernamente, se tornam cada momento mais agravantes no corpo social a questão da automedicação e os malefícios que esse ato gera na integridade da nação. Tal problemática é reflexo da influência virtual e da utilização intensiva dos antibióticos.

Em primeiro plano, destaca-se que de acordo com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 80% dos brasileiros buscam soluções práticas na rede ao presenciar sintomas de alguma enfermidade. Desse modo, é inegável constatar que a internet incentive a prática do consumo de medicamentos pela conta própria, visto que muitos creem fielmente nessas informações vagas e acabam por não ir à um especialista averiguar de fato o problema de saúde. Consequentemente, tem-se o surgimento de efeitos colaterais indesejados nos enfermos como crises alérgicas, dores articulares e até mesmo o agravamento sintomático da possível doença.

Também é necessário levar-se em conta que de acordo com a OMS, no Brasil é utilizada por dia uma dose de antibiótico a cada 45 pessoas. Tal ocorrência exacerbada está associada a população desinformada que se automedica com esse tipo de remédio “cura tudo” indiscriminadamente, desconhecendo o seu potencial de selecionar e criar superbactérias patógenas -seres que possuem alta resistência à maioria dos medicamentos. Assim, muitos desses novos micro-organismos ao entrarem em contato com os indivíduos tendem a se alojar e criar infecções de maior severidade que o comum, podendo levar as pessoas contaminadas à morte.

Com base nos dados elencados é primordial que, a fim de reduzir as consequências da situação problema, o Ministério da Saúde promova pelo meio de palestras e rodas de conversas em lugares públicos, a alertação da população sobre os efeitos prejudiciais da automedicação baseada na internet. Incentivando desse modo, a priorização da procura por um especialista em caso de suspeita de doença. Também é preciso ressaltar que o Estado em parceria com a Mídia, deve promover propagandas em todo território nacional que alertem sobre a perigosidade dos antibióticos, com a finalidade de que nos casos mais leves, se providencie outros meios de tratamento.