Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 11/08/2020

Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no brasil do século XVI. À época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso e, por conta disso, utilizavam métodos indutivos e xamânicos para se automedicarem. Logo, a obra literária se relaciona com um problema que ocorre no Brasil atualmente, em que o cenário de automedicação em período de pandemia vem sendo acentuado. Com isso, apontam-se como problemáticas a influência virtual na vida dos indivíduos e os interesses das empresas farmacêuticas.

A priori, um dos causadores do automedicamento são as informações que circulam pelos meios virtuais que atingem a população. Por efeito, segundo Zygmunt Bauman, renomado sociólogo polonês, os comportamentos até então sólidos no passado estão cedendo espaço a uma época de volatilidade, consumismo e artificialidade. Hodiernamente, essa situação de negligência do consumo próprio do medicamento sem prescrição médica - por causa das informações que circulam nas mídias sociais- se deve muito por causa dos comportamentos da sociedade pós-moderna que Bauman cita como uma modernidade liquida. Com efeito, a volatilidade das informações faz com que o indivíduo acredite que tal remédio fara bem e o protegera contra alguma enfermidade, mas em alguns casos podem apresentar riscos à saúde do paciente.

Paralelamente à dimensão empresarial, o lucro com base nos remédios vendidos aos cidadãos é do interesse das empresas farmacêuticas. Assim, conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. De forma análoga a esse estudo, demonstra-se que as empresas de boticárias um alto lucro com os remédios vendidos sem prescrição médica – com o automedicamento de forma discriminadamente- que pode hoje no cenário brasileiro de pandemia prejudicar o consumo de quem realmente precisa. Por vez, há uma grande corrida para a compra de certos remédios que auxiliam na recuperação dos enfermos do Covid-19.

Em virtude do que foi mencionado, os fatos supracitados mostram uma realidade que vem o correndo no País, em que os efeitos do automedicamento no século XXI estão evidentes. Por conseguinte, cabe ao Governo combater as falsas informações que circulam na internet por meio de investimentos e incentivos de propagandas para as pessoas buscarem se a informação que é vista nas mídias e real ou falso para evitar notícias falsas. Outrossim, compete Ministério da Saúde buscar um método de incentivo para com as empresas farmacêuticas para não venderem seus medicamentos sem receitas para que os cidadãos não usufruírem facilmente remédios sem recomendação médica.