Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Em 1928, o médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming acidentalmente revoluciona a medicina com descoberta da penicilina, substância capaz de eliminar diversas bactérias. Em contradição a isso, hodiernamente, o uso do medicamento no Brasil é mais restrito em razão de seu uso indiscriminado, mesmo sem orientação médica, causando preocupação com a saúde pública e gerando evolução dos micro-organismos. Com isso, percebe uma problemática instaurada na falta de informação quanto aos riscos da automedicação, bem como no interesse das empresas farmacêuticas. Em primeiro plano, a desinformação é uma ferramenta potente contra a prevenção, sendo causa de diversas problemáticas de saúde e tendo como consequência efeitos diretos no sistema imunológico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. Dessa forma, percebe-se a negligência de alguns cidadãos quanto ao uso indiscriminado de remédios, registrando uma precariedade relacionada ao conhecimento dos riscos que esse ato pode provocar, não só individualmente, mas também ao social.
Concomitante ao supracitado, o comércio farmacêutico também possui responsabilidade no que tange a saúde pública, porém muitas vezes o interesse financeiro se sobrepõe a ela. De acordo com um artigo publicado em 2019 pela Revista Amazônia: Science & Health, a propaganda medicinal busca persuadir com informações sobre uma marca ou produto, visando aumentar a aquisição e muitas vezes negligenciando os efeitos colaterais que podem emergir. Sendo assim, é possível compreender que existe uma ganância proveniente de alguns proprietários fármacos para com o lucro, sobrepondo a saúde de outro indivíduo, descuidando de sua obrigação social de propiciar o bem-estar pela ação das medicações.
Portanto, medidas são necessárias para mediar o impasse. Para tanto, uma possível ação benéfica, será que o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, propicie campanhas e publicidades de orientação, por meio de cartilhas físicas ou digitais, no intuito de propiciar o processo de conscientização social para com os graves malefícios da automedicação. Juntamente, será prudente que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária promova maior fiscalização tanto na composição dos medicamentos, quanto nas orientações necessárias nas embalagens e bulas, por ações como solicitações anuais de exemplares fármacos, no objetivo de expor ao consumidor todos os riscos da medicação e auto prescrição do componente químico. Dessa forma, a nação alcançará uma maior qualidade em saúde pública e mais prudência sanitária.