Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
O sociólogo alemão Ulrick Beck, em seu livro ‘Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade”, retrata a situação mundial do desenvolvimento socioeconômico e industrial e sua relação proporcional com os perigos que a população está sujeita. Sobre isso, hodiernamente no Brasil é visto uma dimensão parecida no que tange ao consumo particular de medicamentos sem orientação médica, o desenvolvimento e os riscos sociais acompanhados. Em verdade, essa relação é causada por diversos fatores como a falta do incentivo educacional e o uso de medicamentos como produto de consumo.
Em primeiro plano, quanto a carência de investimentos no setor de educação, o economista britânico Jim O’Neill afirma que o automedicamento é um dos maiores causadores da expansão das superbactérias, pois o uso exagerado pode acabar agravando na formação de uma resistência à medicamentos. Além disso, ele também afirma sobre a preocupação de um futuro que pode se guiar parecido com o do século XIX, em que as pessoas morriam habitualmente por doenças como a peste e a febre amarela. A respeito disso, pode-se dizer que a fundamentação básica da educação é crucial para conter a previsão de O’Neill, bem como garantir que haja uma utilização consciente dos remédios. Concomitante ao supracitado, no que diz respeito ao uso das substâncias farmacêuticas como produtos de consumo de massa, pode-se afirmar que a utilização da mídia social e televisiva para a promoção do produto fabricado que possui o intuito de melhorar a saúde e do bem-estar dos indivíduos dispõe um grave risco. Sob esse viés, de acordo com um estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, as empresas farmacêuticas gastam aproximadamente 35% do valor das vendas apenas com o lançamento do “item”. Diante disso, verifica-se que a qualidade da propaganda é condizente ao interesse do público; captando, juntamente, que a importância de inserir o medicamento dentro da realidade atual é um fator de propagação do uso irresponsável das substâncias pelos telespectadores. Portanto, para efetiva solução desse cenário de automedicação, cabe ao Ministério da Educação, órgão federal fundado em 1930, providenciar o atendimento educacional adequado nos colégios de ensino público, por meio do Programa Saúde na Escola, a fim de garantir a participação de crianças e jovens na construção de uma saúde adequada, bem como na conscientização da relevância no uso de medicamentos sob receita médica e dos prejuízos desses remédios. Outrossim, concerne ao Ministério da Saúde, em união às mídias sociais e televisivas e às empresas farmacêuticas, desconstruir a imagem de que medicamento é algo “normal” e reconstruir o conceito de produto para o auxílio em caso de necessidade, mediante o uso de propagandas curtas, que visem promover um consumo responsável. Dessa maneira, evitar-se-á o futuro receoso de Jim O’Neill.