Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar. Essa lei, embora correta, não é efetivada adequadamente a toda parcela da população, visto que, no hodierno cenário brasileiro diversos indivíduos sofrem com as consequências da automedicação na sua saúde. Diante disso, nota-se que os principais fatores que corroboram para essa problemática é a ausência informacional e a fiscalização ineficiente do país.
Em primeiro plano, vale destacar que o uso inadequado de medicamentos por parte da sociedade tem aumentado significativamente. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. De forma análoga a esse dado, percebe-se que a utilização de remédios sem prescrição médica está entre os maiores causadores de complicações na vitalidade dos indivíduos. Visto isso, é notório que essa realidade é consequência da carência informacional sobre o tema em debate, ou seja, a falta de conhecimento e pesquisa sobre os efeitos colaterais do uso excessivo de certos tipos de remédios, o que pode agravar ainda mais o problema de saúde em questão.
Além disso, outro fator que é responsável pelo aumento da automedicação é a fiscalização precária do país. Segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 48% dos balconistas de farmácia prescrevem medicamentos para a população. Analisando essa informação, verifica-se que quase metade das empresas farmacêuticas do país disponibilizam remédios sem autorização médica para a nação, burlando a legislação e desconsiderando todos os riscos que essa ação pode acarretar. Em virtude disso, é visível que a falta de vigilância das leis federais continua permitindo que profissionais não qualificados distribuem fármacos de forma ilegal, sem alertar sobre suas contraindicações.
Diante do exposto, medidas devem ser tomadas com o intuito de minimizar a ingestão de medicamentos prescritos pelos próprios indivíduos. Portanto, cabe ao Ministério da saúde – principal órgão intermediador de políticas de saúde no país – juntamente com a mídia, promover meios de informações sobre remédios que podem ser auto prescritos e quais os seus limites de uso, por meio de propagandas e campanhas nas escolas e nas redes sociais, a fim de informar à todos os cidadãos sobre os perigos de certas medicações. Outrossim, compete ao Governo Federal, ampliar a efetividade da sua esfera executiva, por meio de fiscalizações mais eficazes e severas, para que dessa forma diminua a ocorrência de farmácias clandestinas. Dessa forma, além de formar cidadãos mais capazes, será possível construir uma sociedade mais bem informada e com uma melhor qualidade de vida.