Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

Segundo dados divulgados por uma pesquisa realizada em 2019 pelo Conselho Feral de Farmácia (CFF), a automedicação é um hábito comum para 77% da população brasileira. Identifica-se, então, que no Brasil há culturalmente a ingestão de medicamentos sem a prescrição médica, que se realizada de forma indiscriminada, pode se tornar uma prática perigosa. Sendo assim, a frágil legislação em decorrência da ineficaz fiscalização junto com o interesse das empresas farmacêuticas atuam como agravantes da problemática.

Em primeiro plano, convém ressaltar que a automedicação é uma prática que em alguns casos acaba por ser, de maneira indiscriminada e inconsequente, incentivada nas próprias farmácias. Nesse sentido, em pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que 48% dos balconistas de farmácias prescrevem medicamentos para a população. Desse modo, pode-se atribuir a recorrência de tal prática à ausência de intervenção governamental a fim de contê-la, o que decorre em falta de uma eficaz fiscalização.

É necessário, também, ter em vista que, por parte daqueles que valorizam o lucro acima do bem-estar social, há o interesse de que o hábito da automedicação continue presente na sociedade. Sob esse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman vem a caracterizar a modernidade líquida, sendo uma de suas características a exarcebada individualidade sobretudo sobre seu viés econômico, vendo o cidadão como somente um consumidor.

Enfim, fica claro que tal pensamento predatório, com o interesse de impulsionar a venda indiscriminada de medicamentos acaba expondo a população a riscos. Portanto, fica claro os riscos da automedicação e os agentes que impulsionam essa prática no país. Dessa forma, para que se possa amenizar o problema em questão, cabe aos Governos Municipais, por meio de fiscalizações mais efetivas, realizar um maior controle sobre a venda de medicamentos que não necessitam de receita médica, a fim de previnir a venda indevida desses. Além disse, é necessário também que haja a parceria entre o Ministério da Saúde e os meios midiáticos com o objetivo de criar campanhas informativas sobre os riscos da ingestão de remédios sem o devido acompanhamento, disponibilizando-as em locais de fácil acesso a população. Com a adesão dessas medidas, espera-se reduzir os impactos do impasse hoje existente na sociedade brasileira.