Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/08/2020
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o cenário da automedicação pode resultar em consequências, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da influência que a internet tem sobre a sociedade, quanto do difícil acesso aos serviços de saúde pública. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a internet influencia a automedicação. Com a introdução dos sites de pesquisa online, o acesso ao conhecimento, o auto diagnóstico tornou-se instantâneo, consultando os sites recomendados online, não só, o diagnóstico é estabelecido, mas também qual remédio é necessário tomar. Visto que a lei permite a venda de diversos medicamentos sem prescrição médica, é simples para a população adquirir um remédio e usá-lo de maneira inadequada, que podem gerar desde efeitos colaterais não previstos até complicações mais graves. Por consequência, essa ação contribui diretamente para o aumento dos problemas relacionados ao bem-estar da população. Ademais, é imperativo ressaltar à que a ingestão de medicamentos de forma inadequada deriva da baixa atuação dos setores governamentais da saúde, no que se concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades na saúde pública a automedicação é responsável por mais de 20 mil mortes no país, segundo a Abifarma, que derivam do atendimento precário e lento disponibilizado nas unidades de saúde brasileiras. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente. Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem construir um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Poder Público – instituição de alta relevância para o país – incorpore medidas para que a qualidade de vida e o bem estar da população seja melhorada, por meio do investimento financeiro direcionado a área da saúde, a fim de melhorar a estrutura e atendimento proporcionando um sistema mais funcional. Paralelo a isso, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir nas escolas palestras ministradas por especialistas, que discutam o combate à ingestão de remédios de maneira errônea e seus possíveis malefícios para o indivíduo, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus e posicione-se a favor de melhorias. Promovendo a evolução das condições educacionais e sociais desse grupo.