Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/08/2020
No documentário norte-americano “Take your pills”, produzido pela Netflix, retrata-se o grande público que faz uso autônomo de fármacos estimulantes sem prescrição médica para a melhoria de desempenho próprio e as suas consequências. Esse panorama auxilia na análise de um aspecto que está em debate no século XXI, a automedicação, visto que a prática oferece sérios riscos à saúde da população. Nesse âmbito, a influência da mídia e a banalização são fatores que favorecem tal quadro.
Em primeiro plano, convém ressaltar que o problema advém, em muito, da influência midiática. Segundo uma pesquisa do Datafolha, mais da metade dos brasileiros (57%) se automedicaram mesmo tendo uma prescrição médica, alterando a dose por conta própria. Isso pode ser explicado pela divulgação de propagandas de remédios, que geram grande incentivo ao nocivo hábito. Dessa forma, os sujeitos que buscam rapidez na sua cura ou que sentem que já estão curados são influenciados a ignorar a palavra de especialistas e utilizar os fármacos de sua própria maneira devido à praticidade. Por conseguinte, acarretam o surgimento de efeitos colaterais indesejados, como dores e reações alérgicas, pelo uso indevido de medicamentos.
Outrossim, vale ressaltar que segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, em sua obra “ A Banalidade do Mal”, quando uma ação negativa é repetida com uma alta frequência, ela passa a ser vista como algo natural. De maneira análoga, o comportamento de automedicar-se já está incorporado na sociedade e se torna cada vez mais comum. Assim, ao se deparar com problemas de saúde considerados simples, os cidadãos ingerem medicamentos sem prescrições, desconhecendo os riscos farmacológicos. Consequentemente, mascaram seus sintomas, dificultando diagnóstico médico e podendo levar a um agravamento do quadro.
Logo, conclui-se que providências são necessárias para se solucionar a questão da automedicação. Com o intuito de amenizar a temática em questão, é importante que o Governo amplie as normas relacionadas à publicidade e propaganda de fármacos no meio televisivo e na internet, por meio da criação de novas leis, com o objetivo de causar mudanças comportamentais na população. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover palestras, aulas e materiais didáticos, a fim de instruir o corpo social acerca da importância de seguir estritamente as orientações de prescrições médicas. Assim, será possível alcançar uma sociedade mais consciente em relação à automedicação.