Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 11/08/2020

Na obra “História Geral da Medicina Brasileira”, Santos Filho descreve práticas médicas indígenas no Brasil do século XVI. À época, a população compreendia as doenças e enfermidades como um castigo religioso e, por conta disso, utilizavam métodos indutivos e xamânicos para se automedicarem. A partir dessa perspectiva, é possível assumir que a automedicação tem uma vertente cultural, o que exemplifica o alto uso desse hábito no país e como suas práticas podem gerar consequências à sociedade. Assim, pode-se apontar como principais causas relativas ao tema a ausência informacional e o interesse de indústrias farmacêuticas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações pela automedicação representam dez por cento das internações hospitalares. Esse fato, associa-se a ausência informacional recorrente no país, que é efeito de uma educação falha e de conhecimentos equivocados, adquiridos de convivências sociais. Dessa maneira, o uso incorreto de medicamentos pode causar diversas consequências negativas para o corpo humano, como graves problemas de saúde, acarretando um uso ainda maior de remédios e, em alguns casos, comprometendo a parte financeira. Logo, afirma-se a importância da medicação prescrita e de um diagnóstico adequado.

Conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Com isso, infere-se a alta influência de tais empresas no cotidiano medicinal da sociedade, por meio de propagandas nas mídia sociais que apresentam os benefícios de um medicamento específico. Desse modo, pode-se ocorrer efeitos negativos no uso inadequado de remédios, agravando ainda mais a causa da automedicação.

Com base nesses fatos e com objetivo de resolver a problemática, é necessário que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde pública, desenvolva campanhas informacionais sobre a importância das prescrições médicas para o bem-estar individual, com o objetivo de ampliar o conhecimento da população acerca desse tema. Também é preciso que o Estado potencialize o monitoramento de propagandas de indústrias farmacêuticas, por meio de uma maior fiscalização, com a finalidade de minimizar a influência de tais corporações. Dessa forma, espera-se promover uma melhora nas questões de automedicações no Brasil.