Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/08/2020

Na série “Euphoria”, de 2019, é retratada a jornada da protagonista Rue, uma adolescente que, por sofrer de distúrbios psíquicos desde a infância, busca nos entorpecentes uma forma de escapar de sua realidade. Não distante ficção, nos dias atuais, é comum a utilização de medicamentos de forma inapropriada por uma boa parcela da população brasileira. Com isso, a influência virtual, bem como a falsa sensação de sabedoria colaboram para o aumento da problemática conhecida como automedicação.

A partir da Terceira Revolução Industrial, nota-se uma relação de dependência entre a sociedade e a tecnologia, porém, existe falta de prudência da população na utilização de meios midiáticos. Nesse sentido, a mídia atua como uma grande influência na vida das pessoas na venda de produtos. Eventualmente, a indústria farmacêutica como parte do sistema capitalista faz uso do marketing ao seu favor. Assim, esse despreparo por parte da população traz a vulnerabilidade à tona para automedicação, que pode ser acompanhado de problemas como a intoxicação e o vício.

Paralelamente a dimensão persuasiva da mídia, a ilusão da sabedoria incentiva o consumo de medicamentos sem prescrições médicas. “O maior inimigo conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. Na citação proferida por Stephen Hawking, físico britânico, é exposto o perigo da falsa sensação do saber na vida de uma pessoa. De forma análoga a esse pensamento, o senso comum de que remédio é sinônimo de cura e melhora, constitui a ideia de que o excesso do mesmo não causará danos nenhum a saúde. Porém, a falta de pesquisa sobre o assunto, por vezes, se dá pelo achismo cultural que as pessoas têm como base para acreditarem que isso é suficiente para compreender as consequências de substâncias químicas no organismo.

Torna-se evidente portanto, a necessidade que todos tenham acesso a informação sobre os problemas que acompanham o abuso na utilização de fármacos. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da mídia divulgar conhecimentos relacionadas a automedicação em sites, outdoors e televisão, a fim de que todos tenham a acesso as consequências da problemática. Outrossim, é vigilância sanitária ampliar olhares para a maneira como as farmácias têm influência sobre as pessoas, por meio da fiscalização de propagandas, com o intuito de analisar se elas tendem a tornarem as pessoas vulneráveis a exageros de medicamentos. Dessa forma, a realidade da série “Euphoria” pode ser evitado e enfim, reduzir os danos da adversidade.