Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 12/08/2020

“Take Your Pills” (tome suas pílulas) é um documentário norte-americano produzido em 2018 que mostra o grande público que faz uso de fármacos sem prescrição médica. A obra evidência e se assemelha com o estilo de vida dinâmico atual da população brasileira que encontra na automedicação formas de melhorar as questões de saúde, não preocupando-se de forma efetiva com os efeitos e as consequências que esse tipo de atitude pode causar na constituição física de seus corpos. Nesse viés, tornam-se perceptíveis a falsa sensação de sabedoria que a população possui, bem como o interesse das empresas farmacêuticas.

Em primeiro plano, segundo o físico britânico Stephen Hawking, “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de ter conhecimento”. A partir de tal afirmação, tornam-se evidentes os impactos negativos promovidos pela prática da automedicação que se faz presente no cotidiano da população brasileira. Dessa forma, é perceptível que essa infundada sensação de sabedoria acaba por gerar como consequência a falta de cuidados, submetendo o indivíduo que pratica tal ato a diversos riscos na sua saúde tanto física como psicológica. Portanto, se faz necessário o papel dos cidadãos para promover a melhora nas questões relacionadas a falsa sensação do saber.

Ademais, conforme o levantamento feito pelo ICTQ (Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade), 42% do lucro das principais corporações farmacêuticas do Brasil são provenientes de medicamentos vendidos sem receita médica. Desse modo, a partir de tais comprovações, é perceptível o interesse das empresas produtoras de fármacos na geração de altos lucros com a produção em massa desses medicamentos sem prescrição medica, não se preocupando de forma efetiva com os perigos que podem ocasionar à uma população que pratica diariamente a automedicação e não possui o conhecimento dos perigos existentes em tais hábitos. Assim, faz-se indispensável que as empresas tenham maior consciência sobre os produtos que comercializam, pensando de forma efetiva no povo brasileiro.

Portanto, cabe a sociedade civil corroborar por meio de campanhas midiáticas, a fim de promover a conscientização da população sobre os perigos da falsa sensação de sabedoria quando se trata da automedicação sem acompanhamento médico. Outrossim, compete a Anvisa - agência que fiscaliza e regula os medicamentos no país-, supervisionar de forma efetiva as empresas produtoras desses fármacos por meio de projetos de pesquisa, a fim de amenizar tais praticas e promover a empatia para que as companhias não foquem apenas em lucros capitais, mas sim na saúde da população. Desse modo, torna-se possível a superação dos desafios da automedicação no Brasil.